Opinião: Ceará e Fortaleza têm outra perspectiva da Copa do Nordeste a partir da fase eliminatória

Possibilidade real de título, hegemonia e arrecadação total são motivos para Vovô e Leão levarem o "mata-mata" à sério

Escrito por
Brenno Rebouças brenno.reboucas@svm.com.br
(Atualizado às 19:54)
Legenda: Leão e Vovô jogam fora de casa no duelo único das quartas de final do torneio
Foto: Wellerson Gomes / Ceará SC e Kid Junior / SVM

Em lados opostos do chaveamento, Ceará e Fortaleza disputam vaga na semifinal da Copa do Nordeste nesta quarta e quinta-feira, respectivamente. O torneio está distante de ser a prioridade dos rivais cearenses em 2026, mas segue sendo um título acessível e uma fonte de receita em meio ao momento financeiro crítico que os dois vivem.

Com um desenho diferente das últimas três edições do regional, em 2026 há possibilidade de um Clássico-Rei na decisão do Nordestão, o que seria inédito. Para que essa possibilidade se mantenha, no entanto, o Tricolor tem que passar pelo Confiança-SE no Batistão e o Vovô eliminar o Vitória em pleno Barradão. 

Se o futebol cearense obtiver 100% de aproveitamento nesta etapa da competição, o favoritismo dos dois clubes cresce, uma vez que haverá apenas clubes da Série B ou de divisões abaixo na disputa, o que a torna equilibrada, principalmente porque na semifinal o duelo será disputado em dois jogos.

Com mais chances, Ceará e Fortaleza passariam a sonhar com o quarto título da Copa do Nordeste, o que por si só daria a hegemonia sobre o outro e os faria assumir a vice-liderança de conquistas no torneio, que tem o Bahia, com 5 canecos, como o maior campeão. E um Clássico-Rei na decisão também valorizaria mais o título, uma vez que seria inédito.

Para o Ceará é a melhor chance de conquistar um título em 2026 e isso deve ser um motivador natural. O trabalho de Mozart sofre questionamentos do torcedor, e tropeços recentes na Série B geram uma pressão da torcida. Eliminar um adversário da Série A e ficar mais perto de uma conquista seria um norte para o comandante alvinegro.

Para o Fortaleza de Carpini, além de encarar um adversário de investimento e divisão mais modesta, passar significa dar sequência ao bom momento e chegar às semifinais com uma impressão diferente da que o time passou durante a primeira fase, quando optou por times reservas em algumas partidas. A classificação emocionante, contra o Sport, já foi um indício de que o torneio ganhou mais peso para o Leão.

A Copa do Nordeste não é uma competição que paga altas cotas de premiação como a Copa do Brasil, mas não dá para ignorar que se o campeão for Ceará ou Fortaleza, terá embolsado uma quantia total de R$ 4,6 milhões. Se chegarem na final, já garantem R$ 4,3 milhões, somando todas as fases. Para duas equipes que apresentaram déficit financeiro no balanço de 2025, é um valor que não pode ser considerado irrisório.

O avanço para a semifinal vale R$ 600 mil, mas já deixa os dois mais próximos de uma cota de R$ 1 milhão, que será entregue ao campeão. 

Esportivamente, Leão e Vovô também defendem uma hegemonia recente do futebol cearense. Nos últimos sete anos, os dois rivais foram campeões 5 vezes e chegaram a 6 finais.

 
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