Hedla e Vittória: mãe e filha que fazem história no esporte mundial

Experiente triatleta, que já tem seu nome marcado como grande referência no cenário mundial, vê a filha trilhar o sonho de representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, adiada para o ano de 2021

Escrito por
André Almeida producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 22:09)
Legenda: Vittória e Hedla nutrem admiração mútua, tanto na vida familiar como profissional
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

O esporte sempre foi visto como um elo social e até uma forma de aproximação familiar. Mais que isso, é uma importante ferramenta na construção de caráter e também na relação entre pais, mães, filhos e filhas. A genética pode, sim, influenciar também na construção de grandes atletas. E hoje, neste dez de maio, duas cearenses que exemplificam bem esta realidade vivenciam um dia das mães diferente, mas deixam, meio a um presente de incertezas, uma mensagem de perspectivas animadoras para o futuro.

Hedla e Vittória Lopes. Mãe e filha, respectivamente. A união que já foi umbilical, hoje, não permite tanta proximidade física nem mesmo no Dia das Mães. Muito menos em tempos de quarentena e isolamento social. Mas, mesmo assim, supera fronteiras continentais na busca pela realização de um sonho mútuo.

Hedla Lopes dispensa apresentações. A triatleta, que já participou 22 vezes do Ironman, maior circuito da categoria no mundo, acumula títulos estaduais, regionais e nacionais, além de feitos marcantes ao longo da carreira. Ela foi ainda a primeira mulher do Nordeste a competir nos Jogos Pan-Americanos, na natação, na edição de 1975, realizada no México. É marcada por uma trajetória de dedicação, sucesso e vitórias.

Vitória. Esta é uma palavra que sempre esteve no vocabulário de Hedla. Mas, em 1996, passou a ter um significado diferente. Passou de substantivo comum para próprio. No dia 15 de março daquele ano, nasceu a Vittória, segunda filha do casamento com o marido Fabio Calheiros.

A caçula veio ao mundo, desde cedo, seguindo os passos, as braçadas e pedaladas da mãe. Hoje, aos 24 anos, já vai se estabelecendo de forma sólida no cenário esportivo do triatlo. Após títulos locais e nacionais, buscou voos maiores. Ou melhor, nados mais profundos. Em 2018, foi campeã do revezamento misto nos Jogos Sul-Americanos, competição que foi disputada na Bolívia.

As principais conquistas vieram no ano passado. Vittória fez parte da equipe brasileira campeã do revezamento misto no Pan-Americano de Triatlo do ano passado, em Lima, no Peru. Além disso, ficou com a prata na competição individual feminina. Conquistas dedicadas à mãe.

"A minha genética ajuda. Tenho no sangue o triatlo. E mais que a genética, o dia a dia, o incentivo da minha família é o diferencial. A atleta é a constância do treinamento, e tem que ter o amor. Só faz se você gosta. E minha mãe sempre me incentivou. É muito mais fácil quando tem alguém incentivando, colocando amor nisso, que consegue passar as alegrias do esporte. Quando tem tudo isso dentro da casa, fica mais fácil. Minha mãe é fundamental pra minha formação como atleta e sou muito privilegiada por ter uma referencia dessa dentro da minha casa", revela a filha.

Legenda: Hedla e Vittória Lopes, sempre que estão juntas, treinam em conjunto
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Sonho olímpico

Mas as conquistas e os sonhos não param por aí. Vittória é uma das brasileiras que representará o Brasil nos Jogos Olímpicos. Mais que isso, ela é, hoje, a principal atleta cearense com chances de conquistar medalha nas Olimpíadas de Tóquio.

Sonho, este, que foi adiado, por conta da pandemia do Covid-19. E frustrou da jovem a expectativa de um 2020 ainda mais vitorioso.

"Eu estava planejando que esse (2020) seria o ano mais importante da minha vida. Você cria uma expectativa, e aí tiraram a expectativa, as competições que estavam planejando. Então dá um sentimento triste, um vazio. Mas eu sei que não tinha condições. Agora é momento de se importar com a saúde, não com os jogos", destaca.

Porém, mesmo na dificuldade, a experiência aponta aspectos positivos. "Fiquei um pouco triste, com o corte das Olimpíadas. Estava tudo comprado, passagem, hospedagem, e ia poder ver uma filha realizando um sonho de ir pras Olimpíadas... É sempre difícil. Mas tudo que a gente passa pra ela é positivo. Ela só tem 5 anos de triatlo, é pouco tempo pra uma grande realização. Com mais um ano, ela vai estar mais velha, mais experiente, vai treinar mais, tudo vai ser a mais. Vai ser algo positivo pra ela, é pra esse lado que a gente leva. Um ano a mais na vida de atleta é muita coisa. Então, que ela continue no foco", ressalta a mãe.

À distância

Enquanto a maioria da população mundial, que cumpre isolamento social, está reclusa em casa, e isso fará com que muitas mães passem o segundo domingo de maio acompanhadas de suas proles, Hedla e Vittória terão que, mais uma vez, conviver com a distância.

A filha caçula mora atualmente no estado do Colorado, nos Estados Unidos, onde segue com a rotina de treinos, mesmo que de forma reduzida. Hedla vive em Fortaleza. A saída é a busca pelas possibilidades tecnológicas.

"A gente continua se comunicando pelo WhatsApp. A internet facilita muito a comunicação, a estar mais perto, mais junto", ressalta a mãe, que terá hoje uma surpresa.

"A minha irmã (mais velha) que mora no Rio de Janeiro já comprou uma cesta de café da manhã pra poder entregar, a gente já encomendou e deve fazer uma reunião online pras três se verem nesse dia das mães", revela Vittória.

A distância, os treinos, o esforço diário, os sacrifícios realizados. Tudo é em prol de algo mais forte que une a realização desta família. E que passa, através do esporte, o verdadeiro significado de ser mãe.

"O mais importante é que ela está feliz, está realizada. É muito gratificante uma mãe ver a filha fazendo o que gosta, o que quer, e se dando bem. Isso que é muito bom", avalia a mãe Hedla, com orgulho da filha e da construção dela como atleta e mulher.

(Colaborou Rafaela Brasileiro)

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