Guia da Série B do Brasileiro 2026: veja participantes, times base e projeções para cada clube
A Segundona começa neste fim de semana, com Ceará e Fortaleza, além de um mata-mata valendo acesso
A principal divisão de acesso do Brasil começa neste sábado, 21, com novidades no formato e um equilíbrio na distribuição dos clubes por região. O Sudeste é a região que possui mais representantes (6), seguido do Nordeste (5), e dentre estes estão os gigantes cearenses Ceará e Fortaleza.
O Vovô volta a disputar a competição após dois anos e busca o seu quarto acesso à elite nacional no formato de pontos corridos, enquanto o Leão retorna à Segundona depois de ficar oito anos distante dela, e vai tentar um “bate e volta” para a Série A, como fez em 2004, buscando também a quarta ascensão no atual sistema de disputas do Brasileirão.
Sem nenhum clube do chamado G-12 do futebol brasileiro (os quatro grandes de São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores de Minas Gerais e Rio Grande do Sul), a Série B de 2026 promete ser bastante competitiva pela semelhança de nível entre a maioria das equipes. A competição vai se estender por oito meses, sem pausa para a Copa do Mundo entre junho e julho.
A emoção do mata-mata
Depois de 20 anos com uma disputa apenas por pontos corridos, a Série B passa a ter um mata-mata valendo acesso. O chamado play-off vai definir em mais dois jogos eliminatórios metade dos acessos para a Série A de 2027.
As 38 rodadas divididas em dois turnos seguem sendo disputadas pelos 20 participantes e ao final delas o campeão e o segundo colocado terão vaga na elite garantida. O terceiro e o quarto lugares, no entanto, vão precisar enfrentar o quinto e o sexto colocados (3º x 6º e 4º x 5º) em duas partidas e são desses jogos que saem os outros dois acessos.
Os que terminarem no G-4 (3º e 4º) terão a vantagem de jogar por dois empates ou uma vitória e uma derrota pelo mesmo saldo de gols, além de disputarem o jogo de volta em casa. Com esse novo formato, a fase de pontos corridos passa a ter, portanto, um G-6, o que deve garantir mais disputas até as rodadas finais, principalmente no meio da tabela de classificação.
A Série B de 2026 terá 40 datas, sendo as 38 para a fase de pontos corridos e mais duas para o mata-mata (play-off) que vale dois acessos. A primeira parte vai de 21 de março até 14 de novembro. E os jogos eliminatórios estão previstos para 21 e 28 de novembro.
Dos 20 participantes, são seis times do Sudeste (Atlhetic-MG, América-MG, Botafogo-SP, Novorizontino, São Bernardo e Ponte Preta), cinco do Nordeste (Ceará, Fortaleza, Sport, Náutico e CRB) e também do Sul (Avaí, Criciúma, Juventude, Londrina, Operário), além de quatro do Centro-Oeste (Vila Nova, Atlético-GO, Cuiabá, Goiás).
Favoritos
Os maiores investimentos financeiros e os times que recentemente estiveram na elite nacional despontam como favoritos ao acesso para a Série A de 2027. Dentre eles os dois representantes do nosso Estado, Ceará e Fortaleza, que devem ostentar as maiores folhas salariais da Segundona.
Com elencos bastante reformulados, apesar da manutenção de algumas peças importantes, Leão e Vovô ainda não perderam na temporada, no entanto tem o desempenho em campo questionado pelos torcedores.
Carpini e Mozart ainda buscam a formação ideal e a melhor forma de jogar, apesar de terem uma espinha dorsal definida. O Tricolor foi campeão cearense e ambos avançaram para a 5ª fase da Copa do Brasil. Ambos tentam um “bate e volta” para a Série A e a necessidade não é apenas esportiva, mas, principalmente financeira.
O Novorizontino, comandado por Enderson Moreira, que tem três acessos para a Série A na carreira, também desponta como um dos prováveis acessos pela ótima campanha no Paulistão, que é o Estadual de melhor nível no Brasil, tendo sido finalista e vencido três dos quatro grandes do Estado.
O campeão goiano de 2026, Goiás, sustenta uma invencibilidade de 16 jogos na temporada e sob o comando de Daniel Paulista também desponta como um dos favoritos. O Esmeraldino também tem demonstrado ofensividade, tendo marcado 29 gols e sofrido apenas oito.
Com o Criciúma, Eduardo Baptista vai tentar fazer o que não fez ano passado com o Tigre e nas últimas três edições da Série B: conquistar o acesso. Ele sabe como disputar a competição e no segundo ano sob o comando do time catarinense provavelmente brigará fortemente por uma das quatro vagas na elite. Vem motivado pelo título do Estadual.
Outro campeão que promete estar nas cabeças é o Sport, que bateu o Náutico com autoridade na grande decisão do Pernambucano. A queda do Leão na Ilha na Copa do Brasil foi uma banho de água fria depois da conquista local, mas o Rubro Negro é sempre um postulante a acesso quando disputa a Série B e só perdeu duas vezes em 2026.
O Juventude é único da lista de favoritos que não foi campeão estadual, mas fez um jogo parelho com o Grêmio na semifinal, caindo apenas nos pênaltis. O time de Maurício Barbieri também está invicto e conseguiu manter peças importantes como Mandaca, mas perdeu seu principal atacante, Taliari, às vésperas da Série B. Ainda assim, tem potencial para estar entre os que sobem.
Times Base
Fortaleza:
Brenno; Mailton, Britez, Cardona (Gazal), Fuentes; Sasha, Pierre, Rodrigo, Crispim; Pochettino, Luiz Fernando. Téc: Thiago Carpini
Ceará:
Richard; Rafael Ramos, Éder, Luizão, Fernando; Zanocelo, Lucas Lima, Vina; Matheusinho (Melk), Matheus Araújo, Wendel Silva. Téc: Mozart
Novorizontino:
Cesar; Alvariño, Dantas, Patrick, Mayk; Naldi, Luis Oyama; Bianqui, Rômulo, Vinícius Paiva; Robson. Téc: Enderson Moreira
Goiás:
Tadeu; Diego Caito, Luis Felipe, Lucas Ribeiro, Nicolas; Gegê, Filipe Machado, Lourenço; Jean Carlos, Lucas Lima, Anselmo Ramon. Téc: Daniel Paulista
Criciúma:
Alisson; Marcelo Hermes, Rodrigo Fagundes, Luciano Castán, Marcinho; Guilherme Lobo, Eduardo Biasi, Jhonata Robert; Waguininho, Diego Gonçalves, Nicolas. Téc: Eduardo Baptista
Sport:
Thiago Couto; Felipinho, Marcelo Ajul, Benevenuto, Pucci; Zé Gabriel, Zé Lucas, Yago Felipe; Gustavo Maia, Barletta, Iury Castilho. Téc: Roger
Juventude:
Jandrei; Marcos Paulo Lima, Messias, Rodrigo Sam, Raí Ramos; Raí Ramos, Mancada, Lucas Mineiro, Pablo Roberto, Patryck; Alisson Safira e Marcos Paulo. Téc: Maurício Barbieri
Podem surpreender
Com quatro acessos para a Série A no século XXI, principalmente nas últimas duas décadas, o Atlético-GO também se tornou um clube que costuma aprontar na Série B. O Dragão aposta muito no fator casa, pois só perdeu uma vez em seus domínios, na final do Estadual.
Com uma ótima campanha no campeonato pernambucano, apesar de não ter faturado o título, o Náutico se coloca como uma equipe que pode beliscar o G-6 e disputar um acesso nos play-offs. Sob o comando do veterano Hélio dos Anjos, o Timbú. O aproveitamento do Alvirrubro em 2026 até aqui é de mais de 70% e não se pode descartar a equipe dos Aflitos.
O CRB foi uma das equipes que sugeriu a mudança de regulamento, ampliando a zona de classificação em duas vagas. Isso porque o Galo da Praia têm flertado com o G-4 nos últimos anos e acredita que com um G-6 pode disputar o acesso. O campeão alagoano tem Barroca como técnico e vem de sete jogos sem perder para ninguém.
Quem também não perde muito na temporada é o América-MG, no entanto o Coelho tem empatado bastante. De 12 jogos no ano, sete terminaram com igualdade no placar e o time de Alberto Valentim precisou de disputa de pênaltis duas vezes na Copa do Brasil para eliminar os modestos Tirol e Barra-SC. Ainda assim, com nomes experientes, como Mastriani e William Bigode, é bom ter atenção com a equipe mineira.
Times base
Atlético-GO:
Paulo Vitor; Matheus Ribeiro, Tito, Adriano Martins, Guilherme Lopes; Igor Henrique, Índio; Jean Dias, Kevin Ramírez, Guilherme Lopes; Jacó. Téc: Eduardo Souza
Náutico:
Muriel; Arnaldo, Wanderson, Igor Fernandes, Yuri; Wenderson, Samuel Félix, Dodô; Vinícius, Júnior Todinho, Paulo Sérgio. Téc: Hélio dos Anjos
CRB:
Matheus Albino; Hereda, Bressan, Fábio Alemão, Lovat; Pedro Castro, Crystopher, Danielzinho; Dadá Belmonte, Mikael, Douglas Baggio. Téc: Eduardo Barroca
América-MG:
Gustavo; Maguinho, Emerson Santos, Rafa Barcelos, Artur; Val Soares, Felipe Amaral; Eduardo Person; Paulo Victor, Thauan, William Bigode. Téc: Alberto Valentim
Meio de Tabela
O estreante da Série B, São Bernardo, não tem muitos atributos que levem a crer que o time do interior paulista será uma sensação do certame. Só venceu quatro partidas em 2026 até aqui, parou na primeira fase do Paulistão, no entanto demonstra equilíbrio entre ataque e defesa. Na temporada são 11 gols marcados e dez sofridos. Mesmo com alguns jogadores rodados como Júnior Urso e Fabrício Daniel, a tendência é ser um coadjuvante.
Finalistas do campeonato paranaense, Operário e Londrina também não geram tanta expectativa para esta edição da Segundona. Apesar do título estadual, o Fantasma não tem um histórico bom na Série B. Nas cinco vezes mais recentes em que jogou o certame, nesta década, a melhor campanha foi uma 7ª colocação, ficando seis pontos atrás do último do G-4. Nas demais vezes ficou pelo meio da tabela e foi rebaixado em 2022. O elenco não possui nomes tão conhecidos, sendo Aylon, ex-Ceará, uma das peças de maior destaque recente.
O Londrina de Alan Aal é outro clube que ainda não perdeu neste ano, porém acumula mais empates que vitórias. Sofre pouco gols, o que pode gerar uma regularidade na Série B, mas não dá sinais de que possa empolgar tanto na competição.
O Vila Nova chega para a Série B com um jejum de vitórias que dura seis jogos. Não chegou às finais do campeonato goiano e na Copa do Brasil levou três decisões para as penalidades, sendo eliminado na terceira para o Confiança. O técnico Humberto Louzer foi demitido após o resultado. E o Tigre deve largar com interino no comando.
Quem também pode ficar no chamado “limbo” da classificação é o Athletic, de Minas Gerais. De técnico novo, o ex-atacante Alex (comandou o time em apenas três partidas até aqui), o Esquadrão de Aço quer fazer uma Série B mais segura que no ano passado, quando lutou pela permanência. São apenas três vitórias em 11 jogos em 2026, o que não faz crer que os mineiros ainda batalhem por espaço na parte de cima da tabela.
Times base:
São Bernardo:
Alex Alves; Hugo, Salustiano, Augusto, Pará; Romisson, Marcão, João Paulo; Daniel Fabrício, Pedro Vitor, Felipe Garcia. Téc: Ricardo Catalá
Operário:
Vagner Silva; Mikael, Cuenú, Miranda, Moraes Jr; Vinícius Diniz, Índio, Boschilia; Hildeberto Pereira, Aylon, Léo Gaúcho: Luizinho Lopes
Londrina:
Kozlinski; Maurício Lima, Yago Lincoln, Wallace, Kevyn; André Luiz, Lucas Marques; Mocellin, Iago Teles; Bruno Santos, João Tavares. Téc: Allan Aal
Vila Nova:
Dalberson; Hayner, Tiago Pagnussat, Pedro Romano, William Formiga; William Maranhão, João Vieira, Marquinhos Gabriel; Rafa Silva, André Luís, Delatorre. Téc: Ariel Mamede (interino)
Athletic:
Jhonatan; Diogo Batista, Lucas Belezi, Jhonatan Silva, Zeca; David Braga, Cabezas, Ian Lucas; Ruan Assis, Dixon Veras, Ronaldo Tavares. Téc: Alex
Salve-se quem puder
Time tradicional da Série B, a Ponte Preta começa a disputa muito em baixa e por isso é um dos times que deve lutar contra a queda. Rebaixada para a Série A2 do Campeonato Paulista, e tendo vencido apenas um jogo em 2026, trocou de técnico ao fim do Estadual e tenta juntar os cacos para salvar o ano. O clube de Campinas vive ainda uma crise financeira e até transfer ban sofreu no começo do ano.
Questões financeiras também colocam o Avaí como um candidato a rebaixamento. O time da Ressacada deve ter uma das menores folhas da Série B e oscila bastante desde o começo da temporada. No Estadual, foi eliminado na semifinal para o Camboriú e na Copa do Brasil caiu para a Portuguesa. Uma das críticas mais fortes dos torcedores é quanto aos problemas defensivos do alviceleste.
A crise no Cuiabá é técnica. O aproveitamento do Dourado é inferior a 40%. Caiu na segunda fase do campeonato matogrossense e na primeira partida pela Copa do Brasil. A diretoria fez oito contratações após o Estadual para tentar reagir na temporada e manteve o técnico Eduardo Barros.
O Botafogo-SP é um dos times desta Série B que menos jogou em 2026. Disputou apenas o Paulistão e não passou da primeira fase, fazendo uma campanha discreta. Nas cinco participações mais recentes na Segundona, foi sempre um time de meio de tabela, e flertou com o Z-4 nos últimos dois anos. A tendência é lutar pela permanência mais uma vez.
Times Base:
Ponte Preta:
Diogo Silva; Guilherme Pacheco, David Braz, Lucas Cunha, Kevyson; Rodrigo Souza, Boschetti; Bryan Borges, Diego Tavares, Elvis; William Pottker. Téc: Rodrigo Santana
Avaí:
Léo Aragão; Walisson, Allyson, Baldini, DG; Zé Ricardo, Luiz Henrique, Jean Lucas, Daniel Penha; Avenatti, Thaylln Roberth. Téc: Cauan de Almeida
Cuiabá:
Jean Carlos; Nino Paraíba, Luis Soares, Vitor Mendes, Marlon; Calebe Costa, Pepê, Raul; Cristtyan, Rodrigo, Vinicius Peixoto. Téc: Eduardo Barros
Botafogo-SP:
Victor Souza; Gabriel Inocêncio, Ericsson, Vilar, Patrick Brey; Matheus Sales, Leandro Maciel; Jefferson Nem, Rafael Gava, Kelvin; Hygor. Téc: Cláudio Tencati