Gilson, um ponteiro andarilho e vencedor
Ivan Bezerra
É difícil para um jogador de futebol encerrar a carreira. E deve ser mais ainda ao constatar que a sua função dentro de campo também virou coisa do passado. Talvez este seja um dos dilemas do ex-atleta Gilson, ponta-direita nato que se destacou no Fortaleza nos anos 80. Ano passado, quando estava com 40, ele ensaiou algumas de suas antigas jogadas nos gramados, e ajudou a subir o Trairiense para a segunda divisão do futebol local.
Gilson era apelidado de “Lampadinha”, pois achavam que era elétrico dentro de campo.
O ex-atleta José Gilson Ferreira da Silva é uma pessoa integrada à comunidade em que vive. Nasceu em Fortaleza e durante toda a sua vida procurou elever o nome do bairro onde ainda hoje reside, o João XXIII. É lá, que ele dá aulas numa escolinha de futebol, indicado pela Sejuv, Secretaria do Esporte e Juventude - e trabalha num projeto de Maurílio Assêncio, um amigo seu de vários anos.
No bairro João XIII Gilson começou a manter contato com o futebol, jogando pelo time amador do Verdes Mares. Foi quando o técnico das escolinhas do Fortaleza, Jurandir Alves o viu em ação e mandou contratá-lo. E o detalhe curioso é que Gilson jogava de lateral-esquerdo, como amador, virando ponteiro-direito, quando se profissionalizou na nova agremiação.
Pode-se dizer que foi rápido o seu surgimento para o futebol cearense. Em janeiro de 1984, quando foi descoberto por Jurandir Alves, no Verdes Mares e em março do mesmo ano, o atacante já estava agregado ao elenco de profissionais da equipe do Fortaleza.
No ano de 1985, o veloz ponta-direito ganhava o seu primeiro título como profissional, defendendo o Tricolor. “Não conseguimos o título de 1986, porque o Ceará fez um time realmente muito bom e não foi possível superá-los”, comentou.
O “Lampadinha” ficou alternando conquistas, pois em 1987 foi campeão de novo pelo Fortaleza e no ano seguinte, o título estadual ficou com o Ferroviário.
MÁGOAS - Foi justamente quando estava no melhor momento de sua carreira que Gilson colecionou alguns ressentimentos e mágoas, por conta do comportamento dos dirigentes. Isto porque, em 1989, surgiram dezenas de propostas para que mudasse de ares, deixando o jogador extremamente preocupado com o seu futuro profissional. Clubes como o Atlético de Bilbao, da Espanha; Porto e Sporting, de Lisboa, (Portugal), entre outros, manifestaram real interesse peloo atacante. “O Atlético Mineiro estava me querendo. Além dele, o Porto e o Sporting de Lisboa formavam as três propostas mais concretas que chegaram aos meus ouvidos, mas o Sílvio Carlos e o restante da diretoria do Fortaleza não me negociaram e me prejudicaram profundamente. “Quando o fruto está maduro, tem que ser tirado e degustado ali na hora. Eu estava no ponto, e os dirigentes do Fortaleza não me venderam, fazendo perder milhões nas negociações”, lamentou Gilson. Por isso, ele analteceu a venda do lateral-direito Amaral para o Mirassol/SP, no auge dos seus 18 anos. “Tem que ser assim mesmo, se não fazem como fizeram comigo, que fui vendido machucado para o Cruzeiro”, completou.
O ex-ponteiro não ficou na rua da amargura, pois foi vendido ao Cruzeiro, pelo qual disputou a Copa União. De lá foi negociado para o Criciúma, onde teve o seu passe preso durante oito anos, sendo emprestado para vários clubes, como Brasil de Pelotas, e equipes do interior do Rio Grande do Sul e o São Paulo, onde fez um rápido estágio junto com os grandes atletas da época.