Atletas cearenses mudam rotinas de treinos para não perder o ritmo

Praticantes de diversas modalidades, como ciclismo, corrida de rua, taekwondo e caratê, têm treinado em casa, adaptando-se como podem para manter o ritmo de treino e, por consequência, o bem-estar mental

Legenda: Marília Chaves é titular da seleção brasileira Junior de Taekwondô

A rotina de um atleta, seja iniciante, amador ou de alto rendimento envolve planejamento para sequências de treinos, foco na preparação física e técnica visando as competições das quais participam. Seja nos tatames, nas piscinas, nos ginásios, quadras ou ruas, o ritmo é intenso, visando as competições nas quais os atletas participam. Rotina bem diferente da atual, em tempos de quarentena e isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, que fechou as portas de clubes e academias, distanciou atletas, companheiros de treinos, técnicos, preparadores físicos, como também cancelou competições em todos os âmbitos: de locais a mundiais. Assim, impossibilitados de treinar da forma habitual, os atletas precisaram de adaptação de suas rotinas diárias, treinando em casa.

E os atletas cearenses, de diferentes modalidades, como ciclismo, corrida de rua, taekwondo e caratê, tem seguido à risca o isolamento social e treinando em casa, adaptando-se como podem para manter o ritmo de treino e, por consequência, o bem estar mental.

Independentemente da modalidade, há um aspecto comum a todos os atletas que mantêm a rotina de treinos em casa: a internet. Usando aplicativos de conversa ou de videoconferência, todos os esportistas mantêm contato direto com os técnicos ou alunos, para aqueles que são educadores físicos e professores, que auxiliam em novos exercícios ou corrigem o que vem sendo feito de forma improvisada.

Para todos os atletas ouvidos pelo Diário do Nordeste, a nova realidade é desafiadora, mas continuar praticando o esporte que tanto amam é essencial para que estejam prontos quando o calendário de competições for retomado. Para eles, o ritmo e treinamento não são os mesmos, mas estar em forma e principalmente, ter uma saúde mental ao praticar seu esporte, são essenciais em tempos de incerteza.

Legenda: Gilberto é atualmente o 2º no ranking brasileiro de paraciclismo de estrada

Dois atletas de alto rendimento e também professores, o paraciclista Gilberto Silva e o maratonista Dicson Falcão, acreditam que o momento é de focar em manter o preparo físico, esquecendo de performance, já que as estruturas e locais para treinamentos não permitem ganhos como em situações normais.

"Quem puder fazer sua atividade física em casa, é muito importante para manter a saúde em dia. Especialmente para quem for atleta e não quiser perder o ritmo de treino. É essencial manter uma alimentação equilibrada e a suplementação adequada para cada caso. Temos que nos adaptar à nova rotina e, embora não seja fácil, certamente não é impossível, basta ter paciência e procurar a melhor forma para cada esporte", avalia o atleta, que ganhou mais de 300 títulos, e atualmente é o 2º do Brasil no ranking do paraciclismo de estrada.

Em seguida, Gilberto indicou como seu treinamento diário foi modificado. "Eu adotei o treino indoor, de casa, colocando a bike no rolo de cilindro e treinando como se fosse na rua. Meus alunos também aderiram e estamos treinando separadamente. Diminuimos os treinos longos, apenas de 3 horas, quando fazíamos de 6 horas", finalizou.

Já Dicson, garante que o importante agora é manter a forma, garantindo também uma saúde mental.

"É hora de ir com calma, em focar no treino não visando uma performance. Esse período é uma ferramenta da manutenção da saúde física e mental. Os benefícios psicológicos que uma atividade esportiva nos dá são muitos, a corrida vem com benefícios hormonais positivos e o momento é outro, de preservar a saúde, e claro, ficar com um sistema imunológico aguardando a volta de nossa rotina", disse ele, que venceu a meia maratona Star Wars, no Estados Unidos, em 2019.

Aprendizado

Se para os atletas de alto rendimento é um desafio a mudança de rotina, para os jovens atletas ainda mais. Mas a orientação de seus técnicos ou parentes é fundamental nesse período.

O carateca Jonathan Benvindo pratica em casa com uma ajudinha da própria mãe. "O professor passa o treino por videoconferência e vamos praticando. Minha mãe e minha namorada, que praticam a modalidade, me ajudam nos treinos que não posso fazer sozinho e em casa vamos conseguindo manter um ritmo de exercícios para não ficar parado até que as competições sejam retomadas", explica Jonathan.

Já o trio Marília Chaves, Rodrigo Freire e Vitor Hugo, que praticam taekwondo, destacaram a importância da disciplina nos treinamentos em casa e nas orientações do treinador. "Estou me adaptando da melhor forma para não perder o rendimento total. Confesso que é pouco complicado o momento, mas somos instruídos por um professor à distância. O segredo é ter disciplina e manter a alimentação boa, para não baixar a imunidade. Dias melhores virão e sonho com o mundial em outubro", disse Marília.

João Paulo destacou que tem um tatame em casa e tem treinado com acompanhamento diário. "Ninguém esperava esta quarentena pela pandemia e tivemos que nos adaptar treinando em casa. Em meu quarto mesmo montei uma parte de um tatame e tenho mantido contato virtual com toda minha equipe multidisciplinar, que fez um trabalho conjunto para todos se adaptarem a situação". 

Para Rodrigo Freire, trata-se de um desafio treinar de forma adaptada, mas ele espera que tenha ganhos lá na frente. "É muito diferente manter um treino em casa do que no tatame. Onde treinavamos é espaçoso, com a estrutura adequada. Eu vejo isso como um desafio. Espero que possamos superar, mantendo o ritmo de treino no dia a dia, quando as competições voltarem", disse ele.
 
Fábio Ronin, presidente da Federação Esportiva de Taekwondô do Ceará, acredita que com orientação e disciplina, os treinos podem ser efetivos, principalmente com um estimulando o outro.

"Atletas treinarem em casa não é o ideal, pois embora nosso esporte seja individual, precisa do coletivo para render, com técnico, companheiro de treinamento, exige a estrutura. Mas estamos orientando e trabalhando para que a perda de rendimento seja o mínimo possível. Mesmo online, cada um estimula o outro e os ganhos são maiores".

 

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