SAC: Fortaleza será uma das mais beneficiadas
Secretaria da Aviação Civil diz que Capital terá "ganhos incontáveis" com o aporte privado no Pinto Martins
Além de ter sido o local que mais despertou interesse de empresas e consórcios empresariais na elaboração do estudo que antecede o edital de concessão de seu aeroporto, Fortaleza também é, segundo o diretor de gestão aeroportuário da Secretaria da Aviação Civil da Presidência da República (SAC), Paulo Henrique Possas, uma das cidades que mais ganharão com a chegada de aporte privado ao Pinto Martins. Conforme diz, o poder turístico da Capital cearense aliado a uma infraestrutura mais moderna de seu aeródromo será a combinação perfeita para a cidade.
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"Os ganhos serão incontáveis para a cidade, que tem tudo para crescer com o aprimoramento de seu aeroporto. A atratividade turística aqui é muito forte e isso fará a diferença", afirmou ontem Possas, durante o segundo dia da Expolog - Feira Nacional de Logística, realizada até hoje no Centro de Eventos do Ceará. Conforme o diretor da SAC, o País possui uma grande dificuldade de investimentos na área aeroportuária, mas isso será sanado com a chegada do aporte privado aos equipamentos.
"Quem visitou o aeroporto de Brasília depois da reforma, ou o novo terminal de passageiros de Guarulhos, sabe bem os benefícios da chegada de investimento privado nesses locais. Os passageiros estão cada vez mais satisfeitos" frisa Paulo Henrique Possas. De acordo com ele, atualmente as concessões estão em fase de análise dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). Depois disso, diz, é feito um cálculo de quanto vale os respectivos aeroportos para estabelecer valores inicias dos leilões, previstos para o primeiros semestre de 2016. "Ano que vem começa o processo de valoração desses ativos".
Carga aérea
O diretor da SAC participou como presidente de mesa do painel "Transporte de Cargas Aéreas - Desafios e Oportunidades de Crescimento", que abordou a necessidade de alavancar este tipo de logística. "O transporte aéreo de cargas é muito importante para um País continental como o Brasil, principalmente para as regiões remotas. Mesmo assim, ainda somos muito dependentes das rodovias", ressaltou.
Ele também destacou algumas dificuldade que travam o aperfeiçoamento do transporte aéreo de cargas no Brasil. "Somos um País que exporta muitas commodities, e esse não é bem o perfil do transporte aéreo, que possui mais produtos de alto valor agregado ou perecíveis. Para a commodity, o frete de um navio ou trem, por exemplo, sai mais em conta, apesar de não ter velocidade", opina. "Além disso, temos processos para organizar e tecnologias para avançar, como na questão do controle de carga. Somos muito atrasados neste aspecto", comenta Possas.
Dica para o Ceará
O painel também contou com a palestra de Adalberto Febeliano, um dos mais conceituados consultores de logística aérea do País, que também é professor do curso de aviação civil da Anhembi Morumbi. Ele disse que o Ceará possui um grande potencial inexplorado no transporte aéreo de cargas, principalmente no que diz respeito às exportações.
"É absurda a discrepância que existe no valor exportado e importado pelo Ceará no transporte aéreo. O valor total daquilo que o Estado traz é muito maior do que aquilo que ele envia. Isso liga um sinal de alerta, pois mostra que os produtos daqui estão com baixo valor agregado", diz. "O mercado já está conquistado. Agora, o Ceará deveria dar mais valor para seus produtos, mais qualidade. Essa é a dica", conta.