Escoamento de frutas ainda sofre com estradas
Mesmo com o Pecém figurando como um dos melhores portos para o setor, as estradas do CE necessitam de melhoras
Embora o Porto do Pecém seja considerado um dos mais eficientes do País para o setor do agronegócio da região, seus acessos rodoviários ainda representam um gargalo para os exportadores de frutas, um dos principais produtos da pauta de exportação do Ceará. A conclusão do quarto anel viário (que liga a CE-040 ao terminal portuário) e a construção do Arco Metropolitano (que ligará a BR-116, em Pacajús, ao Pecém), são algumas demandas do setor.
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"Precisamos da complementação do anel viário e precisamos pensar em uma obra de futuro. Isso facilitaria muito, além de evitar o caos do trânsito na Capital", disse Edson Brok, membro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Fruticultura do Estado e diretor da Brok Fresh Fruit, durante a Expolog - Feira Nacional de Logística.
De janeiro a setembro de 2015, o agronegócio foi responsável por 50% do total das exportações cearenses, com US$ 377,1 milhões. E, dentro deste setor, o segmento de frutas exportou US$ 53,3 milhões, de acordo com dados da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).
Outro gargalo é a fiscalização por parte da dos órgãos públicos. Edson Brok diz que apesar da agilidade nos processo da Receita Federal, em alguns casos falta pessoal e espaço físico para a realização dos procedimentos de fiscalização. No caso do Ministério da Agricultura, o número de fiscais é insuficiente para atender a demanda. "A gente precisa simplificar os procedimentos", afirma o empresário sobre mais uma necessidade para o segmento de frutas.
Potencial reconhecido
Apesar dos gargalos, Brok diz que o Porto do Pecém atrai produtores de frutas de outros estados, que escoam seus produtos pelo porto cearense. Entre as vantagens competitivas do Pecém, Brok destaca a localização, mais próxima dos mercados importadores, e a infraestrutura de serviços acessórios.
"A logística portuária tem sido um diferencial para atrair a produção de frutas de outros estados, principalmente de Pernambuco, da Bahia e do Rio Grande do Norte", ele diz. No entanto, a sazonalidade da fruticultura ainda é um fator que dificulta a manutenção de rotas marítimas regulares para a Europa, mercado que importa quase a totalidade das frutas que saem do Porto do Pecém.
"Com essa sazonalidade nós não temos demanda suficiente para manter mais um serviço marítimo para a Europa. Aí só mesmo com o avanço da economia", lamenta Brok.
Crise hídrica
Atualmente, uma das maiores preocupações dos produtores de fruta é a crise hídrica que atinge o Estado, que vem provocando a redução de áreas plantadas e corte de empregos. "O cenário não é bom, e devemos ter mais redução (de área plantada). A nossa esperança é sempre a chuva, mas esperamos que a transposição (das águas do Rio São Francisco) venha no ano que vem definitivamente", diz Brok.
A expectativa é de que a restrição na oferta de água continue em 2016. Brok estima que a seca, juntamente com a crise econômica, tenha sido responsável pela perda de 3 mil empregos no Ceará, que acabaram migrando para outros estados.
"Nós tivemos projetos seriamente afetados com desemprego no Estado, principalmente no Tabuleiro de Russas. Nós temos produtores cancelando o plantio de 1 mil a 2 mil hectares. Só isso impacta em 1,5 mil empregos diretos, basicamente na produção de melão".