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Porto-seco em estudo para o Cipp

A Estação Aduaneira Interior vai armazenar mercadorias, evitando acúmulo no porto marítimo

Escrito por
Yorrana Pinheiro - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: Sobre os portos cearenses, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Mário Povia, destacou haver um cenário promissor
Foto: Foto:Kid Júnior

A Cearáportos e a Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará) estudam um local para instalar uma Estação Aduaneira Interior (Eadi), também chamado de "porto seco", dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). De acordo com o presidente da Cearáportos, Danilo Serpa, o local da instalação do equipamento ainda está sendo estudado.

A Eadi serviria para armazenar mercadorias por períodos mais longos, evitando que elas se acumulassem no porto, sendo mais um serviço que os clientes do Cipp poderiam dispor. Essa é uma das medidas que estão sendo levadas à frente pelo Governo do Estado, no intuito de ampliar a estrutura do complexo portuário para se tornar ainda mais atrativo. Conforme o Diário do Nordeste informou ontem, já foram contratados estudos para realizar uma terceira fase de ampliação do terminal.

Serpa informou ainda que o Governo negocia com parceiros internacionais a construção de uma nova planta de regaseificação em terra, substituindo o navio Goulart Spirit, que há vários anos ocupa um berço de atracação do Porto do Pecém, fornecendo gás natural. "O navio consegue atender hoje, 7 milhões de metros cúbicos, enquanto a planta atenderia a 14 milhões", apontou, destacando haver interessados de Cingapura e da Holanda.

Já em relação ao Porto de Fortaleza, o diretor da Companhia Docas, Ilário Marques, destacou que as obras de dragagem do quarto berço de atracação e o aprofundamento do novo terminal de contêineres, construído ao lado do terminal de passageiros, vão ser executados a partir de recursos oriundos de uma emenda parlamentar, no valor de R$ 150 milhões, apresentada pela bancada federal cearense na Câmara e no Senado.

Pujante

Sobre os portos cearenses, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Mário Povia, destacou haver um cenário promissor. "Os números do Pecém são pujantes. Os do Mucuripe, embora mais estabilizados, tem movimentações crescentes. Sem dúvida, (o setor portuário) também será impactado positivamente com a siderúrgica, tanto na fase de implementação, como na fase de escoamento da produção", avaliou Povia.

Equilíbrio de modais

Ele apontou que, nos últimos anos, a movimentação portuária, em modo geral, tem crescido mesmo em um cenário de retração econômica, mas ainda enfrenta sérios desafios dentro e fora dos limites do porto: tanto nos acessos de veículos, principalmente terrestres, como na manutenção das dragagens dos berços de atracação. "Nós precisamos avançar no balanceamento dos modais logísticos".

Segundo Povia, a execução das ações do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) e do Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP), em âmbito federal, proporcionarão um equilíbrio entre os modais aquaviário, ferroviário e rodoviário nos próximos 15 a 20 anos. "O modal rodoviário, que é o principal utilizado no País, deve se valer de distâncias curtas", explica.

"Não há a menor racionalidade em, quando temos hidrovias, 8.500km de litoral, e estarmos congestionando as rodovias, tendo que pavimentar e recuperar as estradas nesse ritmo, quando poderíamos ter uma distribuição melhor", avaliou o diretor. Ele ponderou, entretanto, que a infraestrutura no País requer "paciência".Por serem sempre obras com grandes impactos em termos ambientais, licitatórios e orçamentários, nem sempre seguem um ritmo ideal.

Expolog

A melhoria dos modais logísticos estão sendo discutidos, desde ontem, na Feira Nacional de Logística (Expolog), no Centro de Eventos. O 10º Seminário Internacional de Logística, que acontece simultaneamente à feira, é composto por painéis ministrados por mais de 30 palestrantes nacionais e internacionais, até hoje, quando são abordados temas como navegação de cabotagem, logística do agronegócio e transporte de cargas aéreo etc.

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