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PIB do Ceará cresce 1,05%; pior em 12 anos

O Ipece estima que, devido à crise no País, o Estado fechará este ano com um crescimento econômico de 2%

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: O setor de serviços continua segurando a economia cearense e foi o principal responsável pelo avanço no PIB durante o período
Foto: FOTO: JL ROSA

Apesar de ter figurado com o melhor resultado dentre os seis estados brasileiros que já tiveram seus indicadores divulgados e registrado expansão no primeiro trimestre de 2015, a economia cearense atingiu a pior taxa de crescimento para o período em 12 anos.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará avançou 1,05% nos primeiros três meses deste ano em relação a igual intervalo do ano passado, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), divulgada ontem.

A expansão é a menor registrada em um primeiro trimestre desde o resultado dos primeiros três meses de 2003 (0,8%), estimativa que havia dado início à série histórica do PIB trimestral, divulgada pelo órgão.

Se considerarmos todos os trimestres de cada ano, o último período cujo PIB havia ficado abaixo 1,05% foi o quarto trimestre de 2003, com retração de 1,02%, frente a igual período de 2002. Entretanto, o Ipece considera como positivo o avanço econômico registrado para o Ceará no primeiro trimestre de 2015.

"Se você imaginar que o País tem uma estimativa de redução para esse mesmo período de 1,6%, nós podemos até comemorar o resultado do Ceará como muito bom", defende o diretor geral do instituto, Flávio Ataliba.

Esse foi o vigésimo trimestre consecutivo em que taxa de crescimento da economia cearense se mantém acima da média nacional. Além disso, no acumulado dos últimos quatro trimestres, o Ceará também se saiu melhor, com 3,10%, frente à queda de 0,9% registrada para o Brasil.

O PIB também teve o maior avanço no primeiros três meses deste ano dentre cinco estados cujos resultados já foram divulgados: Pernambuco (0,6%), Bahia (-1%), São Paulo (-3,3%), Minas Gerais (-4,9%) e Rio Grande do Sul (-1,3%).

O setor de serviços continua segurando a economia cearense e foi o principal responsável pelo avanço no PIB durante o período. Embora tenha registrado avanço de apenas 0,73%, o segmento compõe cerca de 73% de todas as riquezas produzidas no Estado e teve avanço relacionado, sobretudo, a atividades relacionadas ao turismo.

"Existe atividades que, direta ou indiretamente, se beneficiam dele, como alojamento e alimentação (3,03%) e transportes (0,93%)", afirma ainda o diretor geral do instituto. Os serviços de administração pública também tiveram crescimento significativo (3,29%).

Indústria

Já o setor da indústria, que possui o segundo maior peso na composição do PIB do Ceará, foi o que apresentou o pior resultado (-2,52%) dentre os três considerados pelo Ipece, com destaque para a indústria da transformação, que amargou queda de 5,86% no primeiro trimestre de 2015 em relação a igual período de 2014. "Com esse ambiente de alta inflação, as famílias tem consumido menos e isso tem gerado menos demanda", justifica o analisa e especialista em indústria do Ipece, Witalo Paiva. A construção civil só avançou 0,15%.

Pecuária

O maior avanço foi registrado para a agropecuária (20,31%), mas o setor é o menos representativo na composição das riquezas produzidas no Ceará. "Nesse primeiro trimestre, as lavouras ainda não foram colhidas, então o peso nesse avanço é de 75% da pecuária. Nesse período, a estimativa é indicada de acordo com a intenção de produção dos agricultores e com a área que ainda há para plantar. Para o próximo trimestre, o cenário já não é favorável, porque o período chuvoso não foi bom", afirma a técnica de agropecuária do Ipece, Ana Cristina Lima.

Previsão para 2015

O Ipece prevê que o Ceará, sob o impacto da atual crise nacional, irá fechar o ano de 2015 com crescimento na economia bem menor que o apresentado em 2014. Se no ano passado houve avanço acumulado de 4,36% no PIB, ao fim de 2015 a expansão deve ficar em torno de 2%, segundo o órgão.

A economia local teve avanço de 1,05% no comparativo entre os primeiros trimestres de 2015 e 2014. "Há otimismo, mas o primeiro trimestre envolve o período de férias", destaca Flávio Ataliba. Para ele, a participação do indicador cearense na composição do PIB nacional pode passar de 2,2%, o que seria a melhor fatia já obtida.

O que eles pensam

A tendência é de melhora

A redução do PIB da indústria acompanhou a própria desaceleração econômica do País. Esse desaquecimento preocupa porque, devido à menor competitividade dos produtos brasileiros no exterior, as indústrias nacionais estavam focando sobretudo no mercado interno, que perdeu força. Mas a previsão é que o segundo semestre seja melhor para a indústria.

Guilherme Muchale
Economista da Fiec

Essa redução do PIB no comércio foi sentida pelo setor, mas nós temos uma boa notícia que é o fato de o Ceará continuar crescendo, mesmo enquanto o País registra queda. Isso dá um recado claro ao varejo de que é possível fazer mais. A crise não está nos afetando tanto quanto em outras regiões e nós podemos continuar trabalhando para a retomada.

Severino Ramalho Neto
Presidente da CDL de Fortaleza

Murilo Viana
Repórter

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