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Farmacêuticos puxam setor químico do Ceará

Em meio ao processo de instalação do Polo de Guaiuba, os empresários cearenses vão conquistando mercados

Escrito por
Levi de Freitas - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: A Biomátika, empresa fundada em 2006 e atualmente instalada em Eusébio, vem promovendo pesquisas e desenvolvendo produtos de destaque, com atenção especial ao mercado farmacêutico
Foto: Foto: Kid Júnior

O atual cenário político e econômico do País tem sido usado como argumento para justificar resultados ruins para alguns segmentos, ditos afetados diretamente pela instabilidade instaurada no Brasil. Contudo, há quem consiga escapar das dificuldades e até obter conquistas em meio ao caos. No Ceará, o setor químico é um exemplo de quem vem conseguindo sobreviver à atual crise.

Em meio ao processo de instalação do Polo Químico de Guaiuba, previsto para o ano que vem, os empresários vão conquistando mercados País afora, como no caso das fábricas de saneantes, isto é, aquelas substâncias e compostos químicos para a desinfecção e higienização, como sabão, detergente e alvejante. De acordo com o presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), José Dias, este segmento específico tem se destacado.

"O setor de saneantes está pujante, crescendo bastante. A maior parte é formado por médias empresas, não tem nenhum gigante no Estado ainda, mas a participação dos cearenses no mercado tem crescido bastante e ultrapassado barreiras. Vendemos para o Norte e Nordeste inteiros, e abastecemos o Ceará", afirmou Dias.

Também segue bem avaliado pelo CIC o desempenho do setor fabril de embalagens plásticas no Estado. "Temos fábricas no Ceará que atendem à demanda de outros segmentos, como alimentação, farmacêutico, bebidas", destacou.

O presidente do Centro Industrial do Ceará apontou ainda as fábricas de cosméticos como outra categoria relevante para o setor químico no Estado.

"São em torno de 35 empresas, em um setor que é dividido. Algumas empresas trabalham com sistema de catálogo, outras atuam junto às clínicas de estética, e outras vendem no varejo, para farmácias e supermercados. É um setor que tem crescido muito, tem se mantido muito bem. O Ceará produz praticamente tudo, exceto maquiagem e batom", frisou.

Contudo, nada se compara à relevância do setor farmacêutico cearense a nível de continente americano. O Estado é hoje, conforme José Dias, o maior produtor de soluções parenterais, isto é, compostos feitos para alimentação através de via diferente da gastrointestinal, da América Latina. Hospitais de todo o País e da região latino-americana utilizam o produto daqui.

"O setor farmacêutico, no Ceará, se especializou na fabricação de soluções parenterais. O Estado vai muito bem nesse segmento, é o maior produtor nacional destas soluções, com duas empresas estrangeiras, a Fresenius Kabi e a Isofarma. A terceira é a Farmace, de Barbalha. Essas são primeira, segunda e terceira na América Latina, em produção desse tipo de alimento. É um produto de alto consumo hospitalar, sendo o Ceará o maior produtor nacional e o Brasil depende do nosso Estado", alertou.

Amplificação

Tamanha importância leva o setor a se mexer no sentido de conseguir melhores condições de produção. Neste sentido, o Polo Químico de Guaiuba surge como solução para amplificar a produção do setor e conquistar ainda mais espaço e relevância.

Para a adequação do terreno, o governo estadual, via Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), liberou o aporte de R$ 10 milhões, em fevereiro deste ano. Conforme o cronograma do governo, na primeira fase do projeto, 27 empresas irão se instalar no complexo, com área de 42,25 hectares e localizado a aproximadamente 50Km de Fortaleza.

"Estamos encaminhando a parte burocrática, infraestrutura, para as empresas se realocarem para lá. A maior parte das empresas fará a mudança de planta. Ali, vão se instalar indústrias de limpeza, cosméticos, tintas e embalagens plásticas, principalmente. De uma forma geral, está indo muito bem", disse.

Desenvolvimento

Dias, que é o empresário por trás da Biomátika, ressalta que a empresa, fundada em 2006 e atualmente instalada em Eusébio, vem promovendo pesquisas e desenvolvendo produtos de destaque no mercado. "Estamos crescendo bem, trabalhando muito com o mercado externo, produzindo para nove países, com atenção especial ao mercado farmacêutico. Hoje, nossos principais clientes são as redes de farmácia e distribuidores de medicamentos", pontuou.

Dentre os atuais destaques da produção da empresa, José Dias aponta três, cujo sucesso é devido ao auxílio no combate às doenças mais comuns dos últimos meses: as arboviroses zika, dengue e chikungunya.

"Temos uma linha de repelentes em que hoje estamos praticamente trabalhando 24 horas, para atender o mercado, principalmente o cearense. Ela passou em todos os testes contra o mosquito transmissor dessas epidemias. Outro produto, o Rub, é um gel para massagem canforado, bastante vendido durante o período de inverno. Há ainda outro produto sazonal, o álcool em gel, também um dos principais produtos deste período", pontuou o presidente do CIC.

A crise atual que o País atravessa acaba, portanto, por motivar os industriais químicos. "O setor está apreensivo, mas a gente sabe que o País é grande. O momento é delicado, mas estamos bastante otimistas e positivos num resultado benéfico, para a sociedade e o meio produtivo", sentenciou Dias.

Neste sentido, o Centro Industrial do Ceará iniciou uma campanha junto ao governo do Estado para obter melhorias fiscais. A reclamação é que, graças ao avanço das empresas cearenses, outras unidades da federação têm tomado medidas para encarecer o produto cearense.

"Estamos estudando com o governo e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), uma forma de proteger nossa indústria. Quase todos os outros estados estão colocando barreiras tributárias que inviabilizam a nossa venda. Vamos então fazer um contraponto, para proteger o mercado interno, como esses outros estados estão fazendo. Alguns criaram um imposto agregado em cima do valor dos produtos oriundos de outros estados. Vamos fazer a mesma coisa aqui, para proteger a nossa indústria. Somos penalizados quando vendemos para fora e os outros estados vendem para cá livremente", finalizou.

Contraponto

"Vamos fazer um contraponto, para proteger o mercado interno. Somos penalizados lá fora"

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José Dias - Presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC)

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