Agro Automóvel Papo Carreira Tecnologia

Estado precisa renovar o modelo econômico atual

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Maia Júnior (Planejamento e Gestão) defendeu a renovação da pauta econômica como guia para o desenvolvimento do Estado
Foto: FOTO: CID BARBOSA

A economia do Ceará deverá tomar novos rumos, caso queira atingir patamares maiores, visando o prospectado pelo projeto Ceará 2050, do governo do Estado. Conforme o titular da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplag), Maia Júnior, o atual sistema econômico cearense está "fatigado" e é preciso discutir pontos importantes para não "perpetuar essa situação".

Maia Júnior esteve ontem no Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), para acompanhar o Fórum Ceará em Debate. Na ocasião, estavam presentes o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Luís Olinto Ramos; o diretor geral do Ipece, professor Flávio Ataliba; e o coordenador da pesquisa que avaliou as matrizes de insumo e produto do Estado, Cláudio Considera.

"Tenho percebido no Ceará, e tenho mostrado, a fadiga do nosso sistema econômico. O Ceará 2050, o planejamento de longo prazo, quando queremos discutir alguns pontos importantes, um dos principais é a nova economia do Estado. Pois esse modelo atual, fatigou, não vai nos levar a mais do que isso. Insistir significa que vamos perpetuar essa situação econômica", avaliou.

Flávio Ataliba ponderou que o momento atual é de reflexão, visando dias melhores para os cearenses a médio prazo. Ele ressaltou a importância dos estudos realizados para traçar o perfil dos setores econômicos do Estado. "Não tínhamos no Ceará a oportunidade de ver esses números, eles são inéditos. Isso aí vai permitir muitas outras reflexões. Esse é o ponto de partida para diversas discussões. O Estado tem 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e 4,5% da população está abaixo da renda per capita. Desde 1939, está a mesma coisa, como se estivéssemos numa armadilha. Precisamos pensar em como superar essa faixa", apontou.

Estudo pioneiro

Os números citados por Ataliba foram apresentados por Cláudio Considera, da consultoria Quadrante. A empresa foi contratada pelo Estado do Ceará para avaliar os dados do ano de 2013. O estudo é pioneiro no País por utilizar notas fiscais eletrônicas como subsídio para as informações catalogadas. Foram contemplados 118 produtos e 65 atividades. Dentre a informações inéditas divulgadas estão que, naquele ano, a produção doméstica do Estado totalizou R$ 164,91 bilhões.

Dentre os produtos com maiores participações na produção do Estado estão os Serviços (17%), Construção (9%), comércio atacadista (6%) e comércio varejista (4%). A importação em 2013, que somou R$ 57,82 milhões, teve como principais produtos os derivados de petróleo e coque (7%) e os farmacêuticos (6%), seguidos de máquinas e equipamentos; produtos eletrônicos e de informática; intermediação financeira; e automóveis, todos com cerca de 5% de participação na pauta.

As exportações totais do Ceará em 2013 representaram 27% do PIB do Estado, enquanto a participação no Brasil era de 12%. Conforme o estudo, os quatro principais produtos exportados pelo Ceará naquele ano foram calçados e artefatos de couro (21%); artigos do vestuário e acessórios (10%); produtos da metalurgia; e produtos têxteis, ambos com 6%.

O presidente do IBGE elogiou a postura do Estado, ao recorrer à pesquisa para obter subsídios nos quais possa se apoiar ao tomar qualquer decisão. "O que me trouxe aqui foi que o instituto de estatística regional investe fortemente para melhorar a suas ferramentas de análises econômicas. Isso é fundamental. Nós do IBGE já trabalhamos com o Ipece há muitos anos, na elaboração da conta regional do Estado do Ceará", ressaltou.

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado