CSP recebe 72 mil t de carvão da Austrália
Primeiro carregamento do combustível veio de Moçambique. Outros dois navios vindos da Colômbia são esperados
Conduzindo a segunda carga de carvão para a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), o navio Selândia atracou ontem à tarde, no Porto do Pecém, com 72 mil toneladas (t) do combustível vindo da Austrália. Pela primeira vez, o material foi transportado pela esteira do navio diretamente para o pátio de matérias-primas da usina, inaugurando um novo braço do equipamento, que já existe há quatro anos.
A descarga começou a ser feita ainda ontem e, de acordo com a diretora comercial da Cearáportos, Rebeca Oliveira, deverá ser concluída em três a quatro dias. "Normalmente, esse é o tempo médio. Mas, como está chovendo, pode ser que se estenda, porque é mais difícil transportar o carvão quando chove muito. Se a esteira não apresentar problemas e se a área de matérias-primas estiver 'OK', a previsão é que em até quatro dias seja concluído", afirma.
Esse foi o primeiro navio com carga de carvão para a CSP que atracou no píer 1 do Porto do Pecém, onde fica a correia transportadora do combustível. O a carga anterior, do navio VitaKosmos, que trouxe 70 mil toneladas oriundas de Moçambique para a usina no último dia 4, havia sido transportado através de caminhões do terminal de múltiplo uso do Pecém até o pátio de matérias-primas, pois a correia estava em manutenção.
Segundo a diretora, outros dois navios com cargas de carvão devem chegar nas próximas semanas, da Colômbia. Um deles trará mais 70 mil toneladas, sendo 22 mil para a CSP e 48 mil para a termelétrica.
Após denúncias de moradores do Pecém nesta semana sobre o depósito de pó de carvão no mar durante descarregamentos, uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi ao local na manhã de ontem e constatou que uma quantidade "ainda a ser estimada" do combustível chegou ao oceano, segundo nota do órgão.
Ainda de acordo com o documento do Ibama, a Cearáportos foi autuada em R$ 30 mil por deixar de informar de maneira imediato ao órgão a ocorrência do acidente.
Prazo de 24h
A empresa foi notificada ontem para apresentar em 24h o Plano de Ação Emergencial, a Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos e a estimativa da quantidade do produto que chegou ao mar. Com base nisso, o Ibama poderá realizar outras autuações.
A Cearáportos disse ao órgão que, sobre a carga do navio VitaKosmos, "o descarregamento teria tido início entre os dias 6 e 7 e se estendeu até o dia 14. Em decorrência da umidade excessiva do carvão, que impediu o uso da esteira para o seu transporte, a empresa optou pela deposição do carvão no pátio".
O Ibama avalia a hipótese de que a ação do vento e ausência de umectação (processo que impede o carregamento das partículas pela corrente de ar) do material foram as causas para que parte do carvão fosse depositado no oceano.
Antes de o órgão enviar a nota à imprensa, a Cearáportos havia dito que todos os procedimentos de segurança ao meio ambiente foram realizados.
"O navio, que carregava carvão mineral enquanto a operação estava sendo realizada, foi isolado, impedindo que partículas, que porventura caíssem no mar, se espalhassem. Após o término da operação, com a desatracação do navio, a limpeza do local foi realizada", informou, em nota.
Questionada sobre a notificação aplicada pelo Ibama, a Cearáportos não enviou resposta até o fechamento desta matéria.