Crise econômica obriga gestor a repensar projetos
"Numa crise, você se obriga a repensar", declara o secretário da Infraestrutura, André Facó. Diante de um ano difícil, com o governo cortando gastos, o gestor tem a missão de garantir a execução dos principais projetos do Estado. Para isso, está reavaliando metas e estudando formas diferenciadas de fazer com que alguns empreendimentos sejam tocados, inclusive com a possibilidade de entrada da iniciativa privada nesse processo.
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"Hoje, na Seinfra e suas vinculadas, temos mais de 300 empreendimentos em execução. Desses, algo em torno de dez a 15 respondem por 80% do orçamento. Esses requerem um acompanhamento diferenciado. A gente tem buscado replanejar todos esses empreendimentos com as restrições que são postas", afirma Facó.
Entre os principais projetos, o titular da pasta cita o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Parangaba-Mucuripe, a Linha Leste do Metrô de Fortaleza, a segunda ampliação do Porto do Pecém e o Programa Viário de Integração e Logística (Ceará IV), que financia a reabilitação de 1.390 quilômetros de rodovias estaduais, além da pavimentação de outros 601 quilômetros.
Alguns desses projetos estão sendo revistos, como é o caso da Linha Leste. A dificuldade de caixa está pressionando o governo, que já vê outras alternativas de garantir a execução de alguns investimentos.
"É um ano muito complicado. O governo federal adotou uma estratégia muito interessante, o PIL (Programa de Investimentos em Logística), que é buscar sistemáticas novas num momento de restrições, o que de certa forma é o que a gente tem buscado no Governo do Estado", avalia.
O governador Camilo Santana divulgou recentemente que pretende seguir pelo mesmo caminho, cogitando a concessão de alguns equipamentos públicos do Estado, a exemplo do Centro de Eventos do Ceará, do Acquário e do Metrô de Fortaleza.
Envolvimento
A Seinfra está envolvida nos estudos preliminares que estão sendo realizados para definir que equipamentos podem ter parcerias com a iniciativa privada e quais deles garantem viabilidade financeira para atrair o interesse das empresas.
"A primeira coisa que estamos vendo é, das infraestruturas do Estado, quais são aquelas que têm viabilidade econômica para, a partir desse levantamento inicial, detalhar se seria possível ou não. Tanto rodoviária, aeroviária, portuária", aponta.
Facó cita os vários aeródromos regionais, que, segundo afirma, têm possibilidade de serem transformados em aeroportos regionais. "A ideia é, por conta da crise, buscar outras maneiras de fazer parcerias, para termos uma infraestrutura alavancadora da economia e para o bem-estar social. As que não teriam atratividade para o setor privado, o Estado vai continuar tocando", observa.
De acordo com André Facó, até o fim deste ano, será divulgado o resultado de quais equipamentos são, de fato, atrativos para levar à iniciativa privada, mostrando ainda qual possivelmente seria o modelo de concessão. Esse estudo será encaminhado ao governador Camilo Santana para deliberação. "Temos que buscar caminhos novos pra se ter a infraestrutura. O que é caro é não tê-la, gerando os resultados necessários", conclui. (SS)