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Alta na tarifa de água pressionará a indústria

Entre os setores produtivos que deverão sofrer maior impacto, estão o têxtil e o de alimentos

Escrito por
Bruno Cabral - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: O presidente do Sindsorvetes, Flávio Oliveira, acredita que as empresas terão de buscar alternativas ao fornecimento da Cagece
Foto: FOTO: VIVIANE PINHEIRO

O aumento no valor da tarifa de água e esgoto, que passa a valer a partir de 23 de abril, irá pressionar ainda mais os custos dos setores da indústria e do comércio, que deverão repassar parte do aumento ao consumidor final. Segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a tarifa média, que inclui o consumo residencial, comercial e industrial, passará para R$ 3,03 por metro cúbico, o que representa uma alta de 11,96% em relação às tarifas hoje praticadas. Entre os setores produtivos que deverão sofrer maior impacto, estão o têxtil e o de alimentos.

>Reajuste da Coelce ocorrerá em 22/4

"Boa parte das indústrias cearenses de alimentos, principalmente as localizadas na Região Metropolitana de Fortaleza, utiliza água da Cagece em seus processos produtivos. Algumas demandam mais água que outras, como é o caso das empresas ligadas ao processamento de frutas, abate de aves e de peixes", diz André Siqueira, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação e Rações Balanceadas do Estado do Ceará (Sindialimentos). "As empresas, que já estão sendo obrigadas a demitir devido a uma baixa na atividade econômica, vão sofrer com mais esse custo", ele diz.

Para Guilherme Muchale, economista da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a alta de quase 12%, representará um grande impacto. "A indústria já teve recentemente seus custos pressionados pelo avanço da energia elétrica e dos combustíveis. E aqui no Ceará quem mais sofre é o setor têxtil, que tem um grande consumo de água", ele diz. De acordo com o economista, a indústria cearense responde por cerca de 10% do consumo de água do Estado.

Alternativas

O presidente do Sindicato das Indústrias de Sorvetes do Estado do Ceará (Sindsorvetes), Flávio Oliveira, acredita que, com as recentes altas, as empresas terão de buscar alternativas ao fornecimento da Cagece. "A água é nossa matéria prima, então o empresário vai ter de buscar soluções como o tratamento ou o reaproveitamento, por exemplo".

Para Guilherme Muchale, além de medidas voltadas para economia de água, por parte dos consumidores como um todo, a Cagece deveria investir no combate ao desperdício da própria rede de distribuição.

"Hoje, já temos muitas indústrias que trabalham com ciclo fechado, fazendo o reaproveitamento, mas na rede ainda há muita perda", ele diz.

Dificuldade no repasse

Segundo André Siqueira, no entanto, nem todos os empresários conseguirão repassar o aumento dos custos para o preço dos produtos, devido à inflação que, no acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro, ficou em 10,36%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). "A inflação já está alta, então precisamos refletir se esse aumento na tarifa de água, acima da inflação do País, não está relacionado a uma má gestão dos recursos hídricos ou se a companhia busca reduzir o consumo de água no Ceará, já que estamos indo para o quinto ano seguido de seca e o nível dos reservatórios esta baixo", diz.

Custos da Cagece

De acordo com a Cagece, a medida é uma recomposição da revisão aplicada em novembro de 2015, "uma vez que, passados os primeiros ciclos de faturamento, observou-se que o percentual não foi suficiente para cobrir, minimamente, os custos de tratamento e operação dos serviços prestados pela Cagece". Em novembro, a tarifa já havia sofrido uma revisão extraordinária de 12,9%, que, segundo a companhia, não foi suficiente para manter o equilíbrio necessário para manutenção da operação.

A companhia alega que os custos de tratamento e de operação tiveram aumento nos últimos dois anos, principalmente em decorrência da estiagem. E que o aumento de insumos como energia elétrica e produtos químicos também contribuiram para encarecer o tratamento da água fornecida para os consumidores.

"Os níveis de qualidade exigidos na prestação dos serviços oferecidos pela Cagece, frente à defasagem tarifária, também têm determinado um aumento considerável das despesas de operação. Diante disso, a receita da companhia não tem apresentado, na mesma proporção, crescimento suficiente para sequer garantir a sustentabilidade dos sistemas", diz a companhia em nota publicada em seu site.

A recomposição da tarifa foi autorizada pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), no caso dos municípios do interior; e Autarquia de Regulação, Fiscalização e Controle de Serviços Públicos de Saneamento Ambiental (ACFOR), no caso de Fortaleza.

De acordo com a Cagece, há atualmente 1,7 milhão de imóveis ligados à rede de água no Ceará, e 550 mil à rede de esgoto. A companhia atende 151 municípios no Estado

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