Rio de Janeiro confirma circulação de variante Delta e monitora 40 pessoas

A variante Delta (B.1.617.2) é considerada muito mais infecciosa do que as demais variantes do coronavírus

Pessoa sendo testa
Legenda: De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante do B.1617 do coronavírus, originada na Índia, tem capacidade de transmissão maior
Foto: Tiziana Fabi/AFP

A Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou, nesta quinta-feira (15), que a variante Delta da Covid-19 já circula na cidade. Após identificar dois casos da doença relacionados a essa cepa, o município  agora monitora 40 pessoas que tiveram contato com os infectados.

Tratam-se de dois homens de 27 e 30 anos, residentes dos bairros de Vila Isabel e Paquetá. Eles tiveram sintomas leves da doença e não estão mais em isolamento porque o período de transmissão do vírus já terminou.

Na última semana, a secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro já havia identificado duas pessoas infectadas pela variante delta em Seropédica e São João de Meriti, cidades da Baixada Fluminense.

O primeiro caso dessa cepa no Estado foi confirmado em maio, quando um morador de Campos dos Goycatazes, no norte fluminense, testou positivo para Covid após voltar da Índia, onde a delta foi identificada primeiro.

Em entrevista à TV Globo, o secretário de Saúde da capital, Daniel Soranz, afirmou que a maior preocupação é que a variante delta possa ultrapassar a barreira da vacinação. "Hoje a predominante é a gama, de Manaus, mas a delta começa a circular na cidade", disse.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, outros 13 países do continente americano já registram a circulação da cepa delta além do Brasil. 

Variante Delta é uma preocupação global

Pesquisadores apontam que essa variante tem um nível de transmissibilidade cerca de 50% maior do que linhagens anteriores do vírus.

Um estudo recente, publicado em artigo na revista científica Nature no início deste mês, mostrou que a variante delta consegue escapar parcialmente dos anticorpos de pessoas vacinadas ou já curadas da Covid-19.

A mesma pesquisa mostrou que apenas uma dose das vacinas da Pfizer/BioNTech ou da AstraZeneca/Oxford não é suficiente para proteger contra infecção por essa linhagem. A proteção após a segunda dose, porém, ficou acima de 60% –o que reforça a necessidade de um ciclo de vacinação completo.

Nesta quarta-feira (14), a Prefeitura de São Paulo confirmou que a delta também já circula na capital paulista. A transmissão comunitária do coronavírus foi atestada após o rastreamento de ao menos 40 pessoas que tiveram contato com o primeiro paciente infectado, um homem de 45 anos morador da zona leste da cidade.

Após a confirmação, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) começou a rastrear todas as pessoas que tinham tido contato com o paciente e colocou a família em isolamento. A mulher dele, de 43 anos, também foi infectada pela Covid. Além dos dois, o enteado de 26 anos e o filho do casal, de 9 anos, ficaram em quarentena.

Como o paciente informou que não havia viajado nem tido contato com pessoas que viajaram, a Covisa começou a trabalhar com a hipótese de transmissão comunitária da variante delta.

O QUE É A VARIANTE DELTA 

variante Delta (B.1.617.2) é considerada muito mais infecciosa do que as demais variantes do coronavírus. Testes mostram que ela se multiplica com maior velocidade no organismo, aumentando o risco mesmo para queles que já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. 

QUAIS OS SINTOMAS DA VARIANTE DELTA

Dor de garganta, dor de cabeça e coriza são os principais sintomas relacionados à variante Delta da Covid-19, segundo aponta estudo conduzido no Reino Unido. 

Segundo o professor Tim Spector, que comanda o estudo denominado de 'Zoe Covid Symptom', a nova cepa pode se parecer com uma espécie de "resfriado mais forte" para os jovens.

Ainda que eles não sejam tão graves em pessoas mais novas, os infectados podem transmitir mais facilmente, colocando outras pessoas em risco.

QUAIS VACINAS FUNCIONAM PARA A VARIANTE DELTA

Vários estudos em laboratório mostram que a variante Delta parece mais resistente às vacinas que outras mutações. É o que se conhece como "escape imunológico".

De acordo com um estudo, coordenado pelas autoridades britânicas e publicado no início de junho na revista The Lancet, nas pessoas vacinas com as duas doses da Pfizer/BioNTech o nível de anticorpos neutralizantes é quase seis vezes menos elevado na presença da variante Delta que com a cepa originária, usada para desenvolver as vacinas.

Em comparação, esta redução é de 2,6 vezes a respeito da variante Alpha ("britânica") e 4,9 vezes ante a variante Beta ("sul-africana").

Outro estudo, do Instituto Pasteur na França, conclui que os anticorpos neutralizantes depois da aplicação da vacina Pfizer são de três a seis vezes menos eficazes contra a variante Delta que contra a Alpha. 

De acordo com dados apresentados na segunda-feira pelas autoridades britânicas, a vacinação com a Pfizer/BioNTech e com AstraZeneca são igualmente eficazes para impedir a hospitalização tanto para a variante Delta como para a Alpha.

Duas doses permitem evitar em 96% (para Pfizer/BioNTech) e 92% (para AstraZeneca) a internação pela variante Delta, segundo o estudo com 14 mil pessoas.

Dados anteriores das autoridades britânicas apresentaram conclusões parecidas para formas menos graves da doença.

Duas semanas depois da segunda dose, a vacina Pfizer/BioNTech é 88% eficaz contra a forma sintomática da covid-19 devido à variante Delta, contra 93% quando se trata da variante Alpha. A AstraZeneca demonstrou eficácia de 60% e 66% contra estas mutações.

Os criadores da vacina russa Sputnik V afirmaram na terça-feira no Twitter que seu fármaco era "mais eficaz contra a variante Delta" que qualquer outro, mas não publicaram os dados.

UMA DOSE NÃO É O SUFICIENTE

Os estudos convergem em um ponto: apenas uma dose oferece uma proteção limitada contra a variante Delta.

"Após uma dose da Pfizer/BioNTech, 79% das pessoas tinham uma resposta de anticorpos detectável contra a cepa original, mas esta caía a 50% para a variante Alpha, 32% para a variante Delta e 25% para a variante Beta", conclui o estudo em laboratório publicado na revista The Lancet.

A pesquisa do Instituto Pasteur indica que apenas uma dose da AstraZeneca seria "pouco ou nada eficaz" contra a variante Delta.

Estas tendências são confirmadas na vida real: segundo as autoridades britânicas, apenas uma dose de qualquer uma das vacinas tem eficácia de 33% para impedir a forma sintomática da doença causada pela Delta (e 50% para a variante Alpha).

Entre todos os imunizantes autorizados, apenas o do laboratório Janssen é de dose única. No momento não há dados sobre sua proteção para a variante Delta.

 
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