Polícia Federal mira Ricardo Salles em operação que apura exportação ilegal de madeira

Dez agentes públicos foram afastados dos cargos a pedido do STF, entre eles o presidente do Ibama Eduardo Bim

ricardo salles
Legenda: Ricardo Salles é alvo de ação no STF
Foto: Sergio Lima/AFP

O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, é um dos alvos da Operação Akuanduba, deflagrada na manhã desta quarta-feira (19) pela Polícia Federal para apurar um esquema de exportação ilegal de madeira para os Estados Unidos e a Europa.

Ao todo, a PF cumpre 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Pará. Cerca de 160 policiais estão envolvidos no cumprimento das medidas expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação investiga crimes contra a Administração Pública (corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando) praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

Salles se apresentou na sede da Superintendência da PF, em Brasília, por volta de 8h. Contra ele, o STF determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal, além de buscas nos endereços residenciais do ministro, em São Paulo, no imóvel funcional dele Brasília e no gabinete da pasta de Meio Ambiente no Pará.

A Corte estabeleceu ainda o afastamento de 10 agentes públicos ocupantes de cargos e funções de confiança no MMA e no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Um dos afastados foi o presidente do Ibama, Eduardo Bim. 

Veja lista dos servidores afastados do MMA e do Ibama

  • Andre Heleno Azevedo Silveira
  • Arthur Valinoto Bastos
  • Eduardo Bim
  • João Pessoa Riograndense Moreira Jr
  • Leopoldo Penteado
  • Leslie Nelson Jardim Tavares
  • Olímpio Ferreira Magalhães
  • Olivaldi Alves Azevedo Borges
  • Rafael Freire de Macedo
  • Vagner Tadeu Matiota

Irregularidades

Houve também a suspensão imediata da aplicação de um despacho nº 7036900/2020, emitido em fevereiro de 2020. Isso porque, ao contrário dos normativos e pareceres técnicos do Ibama, o documento permitiu a exportação de produtos florestais sem a necessidade de emissão de autorizações. 

"Estima-se que o referido despacho, elaborado a pedido de empresas que tiveram cargas não licenciadas apreendidas nos EUA e Europa, resultou na regularização de mais de 8 mil cargas de madeira exportadas ilegalmente entre os anos de 2019 e 2020", destacou a PF.

Conforme a PF, as investigações começaram no último mês de janeiro após informações "obtidas de autoridades estrangeiras". As fontes denunciaram um  "possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira".

"Akuanduba é uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o estado do Pará. Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem", explicou a PF, em nota. 

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