Investigação aponta que parada cardíaca de criança vacinada não foi reação ao imunizante

Após uma criança de 10 anos sofrer parada cardíaca cerca de 12 horas depois da dose pediátrica da Pfizer, a Secretaria de Saúde de São Paulo realizou uma investigação do caso

Legenda: A imunização de crianças no Brasil não é obrigatória, nem exige receita médica.
Foto: Frederic J. Brown/AFP

Em meio à vacinação infantil com a dose pediátrica da Pfizer, uma menina de 10 anos foi internada após sofrer uma parada cardíaca em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, 12 horas depois que de ser vacinada contra a Covid-19. Segundo informações do Globo, a investigação conduzida pela Secretaria de Saúde do Estado, concluída nesta quinta-feira (20), apontou que a reação não está relacionada com o imunizante.

Na análise, realizada por mais de dez especialistas e organizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de São Paulo, foi descoberto que a criança possuía uma doença congênita rara, desconhecida pela família. E, em decorrência dessa condição de saúde, a consequência adversa.

A investigação reforçou ainda que a vacinação infantil segue sendo segura e eficaz, e que não existe relação causal entre a vacinação contra Covid-19 e o atual estado de saúde da menina.

POSICIONAMENTO DA PFIZER

Após o caso, a Pfizer se pronunciou por meio de uma nota ao Globo que a área de farmacovigilância da empresa recebeu o relato do potencial efeito adverso, seguindo o processo global da pandemia. Além disso, acrescentou que não existem alertas de segurança graves relacionados ao imunizante da empresa. 

"A companhia realiza habitualmente o acompanhamento de relatos de potenciais eventos  adversos  de  seus  produtos,  mantendo  sempre informadas as  autoridades sanitárias brasileiras, de acordo com a regulamentação vigente".

SUSPENSÃO DA VACINAÇÃO INFANTIL

Já a Prefeitura de Lençóis Paulista optou por suspender, por sete dias, a vacinação infantil na tarde de ontem (19) em decorrência do caso. Isso porque o pai relatou que a criança "apresentou alterações nos batimentos cardíacos e desmaiou".

Houve a interrupção da vacinação "em livre demanda", mas os pais que desejam imunizar crianças antes de a Prefeitura retomar o calendário de vacinação ainda podem ligar na Central Saúde para fazer o agendamento.

Depois de ser encaminhada a uma unidade de saúde privada, foi reanimada por médicos e logo apresentou estado estável e consciente. No Hospital Unimed de Botucatu, permanece sob observação. 

Nesta quinta (20), mesmo depois do resultado da investigação, a Prefeitura do município irá manter a vacinação infantil por agendamento até a próxima terça-feira (25). Neste período de sete dias, o órgão de saúde da Lençóis Paulista fará o monitorando as 46 crianças vacinadas na cidade.

DOENÇA RARA

O caso de parada cardíaca na faixa etária da menina pode ser considerado um caso raro. De acordo com o geneticista e pediatra Salmo Raskin, em entrevista ao Globo, "(a miocardite) acomete uma em cada milhão de crianças, e os casos não são graves. Rara, a miocardite é mais frequente em meninos".

Em relação a interrupção da aplicação de imunizante em crianças entre 5 e 11 anos por sete dias, "em livre demanda", chegou a comentar que esse tipo de efeito não está nem mesmo descrito nos efeitos adversos a curto prazo da vacina contra a Covid-19. 

 

 

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