UE e Reino Unido continuam sem uma solução para o Brexit

Um dos principais objetivos da primeira-ministra Theresa May é impedir a criação de uma fronteira para mercadorias entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte

Legenda: Se os deputados rejeitarem novamente o texto, em 13 de março deverão decidir se querem um Brexit sem acordo
Foto: Foto: Daniel Leal-Olivas / AFP

As conversações entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) para desbloquear a oposição do Parlamento britânico ao acordo de separação continuam bloqueadas, sem encontrar uma solução, afirmou nesta quarta-feira (6) o porta-voz da Comissão Europeia.

"Neste momento, não se identificou qualquer solução que seja coerente com o acordo de retirada (...), que não será reaberto", indicou em coletiva de imprensa Margaritis Schinas, depois de uma nova reunião na véspera em Bruxelas entre os negociadores europeus e britânicos.

A reunião de quatro horas entre as equipes do europeu Michel Barnier e do britânico Stephen Barclay, que contou com a presença do procurador-geral britânico, Geoffrex Cox, terminou sem nenhum anúncio sobre o seu resultado.

Barclay havia expressado, no entanto, sua disposição de fechar um acordo, antes de viajar a Bruxelas pela quarta vez em 22 dias, com o objetivo de obter as garantias necessárias para que Westminster apoie o acordo fechado com Bruxelas em novembro.

Este é o objetivo assumido pela primeira-ministra britânica, Theresa May, desde que os deputados britânicos rejeitaram, em janeiro, o acordo de divórcio, por sua oposição ao chamado 'backstop' irlandês.

Este mecanismo, incluído no tratado de divórcio, visa a impedir o estabelecimento de uma fronteira para mercadorias entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte, bem como proteger os acordos de paz da Sexta-feira Santa de 1998 que pôs fim a décadas de conflito sangrento.

No entanto, reforçados pelos relatos de Cox, os deputados britânicos temem que, por causa desse mecanismo, o Reino Unido fique atado a um território aduaneiro com a UE, impedindo-o de negociar acordos comerciais com terceiros.

O tempo está se esgotando. Em 12 de março, a primeira-ministra britânica deverá submeter o acordo de divórcio ao seu Parlamento, juntamente com quaisquer garantias obtidas da UE.

Se os deputados rejeitarem novamente o texto, em 13 de março deverão decidir se querem um Brexit sem acordo.

Se descartarem uma saída abrupta do bloco europeu, deverão se pronunciar em 14 de março sobre uma proposta de prorrogação "limitada" da data de saída, ideia que May acabou colocando sobre a mesa diante da pressão de alguns ministros.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o mundo