Inquérito sobre ação da PM que deixou três feridos no Ceará ainda não foi concluído após dois meses

Os soldados envolvidos na ocorrência seguem em liberdade e afastados das suas funções. O processo está parado há pelo menos 45 dias

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
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Legenda: Um dos policiais envolvido na intervenção foi filmado já em uma unidade hospitalar
Foto: Reprodução

Passaram dois meses desde o dia que policiais militares feriram três pessoas em Hidrolândia, no Interior do Ceará, em uma ação considerada "desastrosa" pelos familiares das vítimas e denominada como "lamentável episódio" pelo governador do Estado, Camilo Santana. 60 dias depois, o Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a atuação dos agentes na ocasião ainda não foi concluído.

Os soldados José Ferreira da Silva Filho e Jonas Ferreira Soares seguem em liberdade por decisão do Judiciário. A Polícia Militar do Ceará (PMCE) não informou os porquês de até agora não ter finalizado a investigação. Enquanto isso, o processo está parado há pelo menos 45 dias. 

Na seara administrativa, também está em andamento o processo disciplinar que apura a conduta dos praças. De acordo com a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), o processo está em fase de instrução e os policiais militares encontram-se afastados das suas funções.

Os PMs seguem proibidos de acessar o limite territorial do município de Hidrolândia

Os familiares das três vítimas baleadas durante a intervenção policial dizem não desistir da Justiça para o caso. Dentre os feridos estavam Pedro Henrique Peres, de 21 anos; e a namorada Amanda Carneiro, grávida de gêmeos, estavam no carro abordado pelos agentes. A mulher escapou dos disparos, mas Pedro foi atingido e está com sequela em um dos olhos e em uma das pernas. 

Legenda: Trecho publicado pelo governador no dia seguinte ao ocorrido
Foto: Reprodução/Instagram

Um parente do jovem alvejado ouvido pela reportagem reclama da demora e afirma que: "causa estranheza e perplexidade o procedimento policial de apuração do fato ainda não ter sido concluído. É angustiante essa demora. Justiça tardia é injustiça qualificada, já dizia Rui Barbosa. Enquanto isso, às vítimas e suas famílias ainda tentam superar os traumas físicos e psicológicos deixados. A ação desastrosa é inconsequente dos policiais precisa ser respondida à altura para que outros casos assim não ocorram". 

O Estado tem que dar uma resposta às vítimas, às suas famílias e à sociedade. Enquanto essa resposta não for dada, as feridas permaneceram abertas"

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