Exame feito pela Pefoce não encontra chumbo nas mãos de Jamile

O caso era tratado como suicídio, mas a investigação da Polícia Civil começou a apontar para feminicídio cometido pelo namorado da vítima

Legenda: A empresária Jamile Correia morreu por volta de 7h do dia 31 de agosto, no IJF
Foto: Foto: Reprodução

O exame residuográfico feito pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) não encontrou chumbo nas mãos da empresária Jamile de Oliveira Correia. A coleta foi realizada às 16h40 do dia 31 de agosto deste ano, poucas horas depois da morte da mulher. O laudo foi obtido com exclusividade pelo Sistema Verdes Mares.

O documento, assinado por um perito criminal, afirma que a não detecção de partículas de chumbo na amostra analisada pode conduzir a duas interpretações. A primeira possibilidade é a "efetiva inexistência de chumbo no material analisado. Neste caso, em princípio, conclui-se que as superfícies analisadas não estavam na vizinhança de disparo de arma de fogo".

A segunda hipótese é a não detecção de partículas de chumbo se dever a variados fatores, como quantidade inferior de chumbo, coleta realizada tardiamente, tipo de arma utilizada pelo autor, modo de empunhar a arma de fogo ou condições ambientais.

"Portanto, o presente exame não pode ser considerado como prova técnica contundente, única e definitiva para se estabelecer uma correlação entre vestígio detectado ou não, e o fato questionado. É recomendável ter outros meios de prova como orientação técnica. Outros exames de evidências materiais e/ou provas circunstanciais ou testemunháveis devem auxiliar na formação da convicção que o caso requer", conclui o laudo.

A reportagem apurou que o namorado de Jamile, advogado Aldemir Pessoa Júnior, e o filho adolescente da mulher, de apenas 14 anos, não realizaram exame residuográfico. A mulher morreu por volta de 7h do dia 31 de agosto. O caso era tratado como suicídio, mas a investigação da Polícia Civil começou a apontar para feminicídio cometido por Aldemir.

Exame pode ter sido prejudicado pelo tempo

O perito criminal aposentado e ex-diretor do Instituto de Criminalística do Ceará, Ranvier Aragão, afirma que o tempo entre a hora do disparo e a realização do exame pode ter deixado a análise "irremediavelmente prejudicada". "Para que esse exame seja factível é preciso que o examinado seja preservado, que o exame seja feito o quanto antes, que o examinado não tenha passado as mãos por nenhuma higienização hídrica. A negatividade do exame não diz absolutamente nada.", reforça Ranvier.

Ao analisar o laudo cadavérico, Aragão explica que a trajetória feita pela bala "não é comum de tiros suicidas". "Embora não podemos descartar, temos que analisar todo o conjunto probatório. (Os tiros suicidas normalmente são) no pavilhão auditivo, boca, coisas dessa natureza. Raramente é na região do coração. Mas para chegar a essa conclusão tem que analisar a arma, a mão da pessoa", ponderou.

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