Caso Gegê e Paca: "Temo pela minha segurança", diz testemunha

Homem que reconheceu três réus pelas mortes de 'Gegê do Mangue' e 'Paca' em um heliponto prestou depoimento à Justiça. Processo da morte dos dois líderes do PCC avança, com duas audiências concluídas e mais duas marcadas

Legenda: Corpos dos líderes da facção PCC foram encontrados por populares em uma reserva indígena, em Aquiraz
Foto: FOTO: CAMILA LIMA

Na hora e no lugar errado. Foi assim que um homem se viu, ao descobrir que era uma das testemunhas das mortes de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', considerados líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A dupla foi executada em uma reserva indígena, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no dia 15 de fevereiro de 2018.

"Temo pela minha segurança e da minha família", revelou o homem - que terá a identidade preservada - durante a segunda audiência do processo, no Fórum de Aquiraz, ontem. Ele estava em Caucaia e foi interrogado por representantes do Ministério Público do Ceará (MPCE) e por advogados de defesa dos réus, através do sistema de videoconferência do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

Durante 30 minutos, a testemunha tentou mostrar que estava no heliponto do Eusébio - de onde teria decolado o helicóptero que transportou vítimas e assassinos ao local de crime - por um acaso. Apesar do nervosismo, ele não se negou nem titubeou nas respostas. Ao ser questionado por um advogado se sofreu ameaças de morte por participar da ação penal, ele respondeu: "Ainda não, graças a Deus!".

O homem visualizou três réus do processo no heliponto e os reconheceu para a Polícia Civil do Ceará, a partir de imagens captadas pelas câmeras do empreendimento. Um dos acusados é o piloto Felipe Ramos Morais, que teria controlado a aeronave. Os outros dois não tiveram os nomes revelados em juízo.

"De nome eu não sei quem é ninguém. Mas se me mostrar a foto, eu sei se estava lá. O piloto eu sei porque usava uma 'roupa de piloto'", explicou o homem, que foi procurado pela Polícia Civil apenas uma semana após o crime.

A testemunha preferia não ter sido procurada pela Polícia e ter esquecido que esteve naquele heliponto. Ele carrega o fato como um fardo. Ao terminar o interrogatório e ser dispensado pelo colegiado de juízes de Aquiraz, o homem desabafou: "Eu não queria nem estar aqui".

Processo

As investigações apontam que 'Gegê do Mangue' e 'Paca' foram mortos em uma emboscada do PCC. Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro', apontado como outra liderança da facção e como um dos responsáveis por articular e executar o plano criminoso, terminou assassinado, em São Paulo, oito dias após o crime no Ceará.

Dez réus respondem ao processo que tramita na 1ª Vara Criminal do Município de Aquiraz. Carlenilto Pereira Maltas, Felipe Ramos Morais e Jefte Ferreira Santos estão presos. Enquanto André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada'; Erick Machado Santos, o 'Neguinho Rick da Baixada'; Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho'; Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos; Renato Oliveira Mota; Ronaldo Pereira Costa; e Tiago Lourenço de Sá de Lima são considerados foragidos da Justiça.

Duas audiências já foram realizadas. Ontem, uma segunda testemunha de acusação, que seria interrogada por videoconferência de São Paulo, não compareceu. Cinco testemunhas já tinham prestado depoimento à Justiça, na última quarta-feira (11). As próximas audiências estão marcadas para os dias 20 e 24 de setembro deste ano. Procurados, os advogados de defesa dos réus não quiseram comentar o caso.

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