Reunião de Maia com líder do Governo busca pacificação na Câmara

Após rompimento de relações, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, encontra o líder do Governo na Casa, Major Vitor Hugo, que considera o episódio como um caso superado. Andamento das propostas do Executivo no Congresso, como a reforma da Previdência, não sofrerá abalos, dizem governistas

Legenda: Derrotas do Planalto em votações do Plenário da Câmara dos Deputados refletem a falta de articulação do líder do Governo
Foto: Foto: Agência Câmara

Dois dias depois de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter tornado público seu rompimento com o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO), os dois se encontraram, nesta sexta-feira (24), na residência oficial de Maia. O parlamentar do PSL afirmou que os problemas foram superados.

"Foi uma conversa muito boa, uma conversa amigável. A gente vai virar as páginas todas, vamos continuar numa aproximação para o bem do País", afirmou Vitor Hugo.

O atrito foi gerado após Vitor Hugo criticar, em uma reunião na semana passada em que Maia não estava, as reuniões fechadas na residência oficial do presidente da Câmara, em que poucos líderes são convidados. O líder pontuou que não seria justo que líderes se reunissem com o presidente da Casa sem que todos os partidos fossem convidados.

Nesta semana, Maia respondeu dizendo que cortou relações pessoais com Vitor Hugo "faz tempo", quando o líder compartilhou, ainda em março, uma charge em que alguém ia negociar com deputados levando um saco de dinheiro com a palavra "diálogo". "Um deputado que coloca uma charge atacando o Parlamento, comigo não tem conserto", disse Maia à época.

De acordo com o líder do Governo, o assunto agora está resolvido. "Ele (Maia) comentou que vai passar a me convidar para as reuniões normais onde quer que elas sejam, lá na casa dele ou na própria Câmara. Não vai ser um problema", disse Vitor Hugo.

Quem marcou o encontro foi a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), a "embaixadora da paz", nas palavras de Vitor Hugo. Ela convenceu Maia a receber o desafeto. Segundo o líder, foram discutidas pautas da Câmara e maneiras de aproximar o Executivo do Legislativo. "Senti nele que estava disposto a construir uma relação boa", disse o líder.

Ainda segundo Vitor Hugo, Maia convidou toda a bancada do PSL para jantar na casa dele na próxima terça.

Reforma da Previdência

A pacificação ensaiada ontem visa evitar abalos na agenda legislativa do Governo. Ontem, o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), disse que, com ou sem o ministro Paulo Guedes (Economia) no Governo, a proposta para endurecer as regras de aposentadorias vai ser aprovada.

Em entrevista à revista Veja, Guedes disse que irá renunciar ao cargo se o projeto pretendido pelo Governo virar uma "reforminha". Ramos e o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), avaliam que a fala do ministro não tem efeito sobre o Congresso.

"A Câmara tem compromisso com a reforma independente desse discurso que beira à chantagem. Ele é importante, mas, com ele ou sem ele, vai ter reforma", disse Ramos.

Os dois deputados acreditam que a afirmação do ministro seja um recado para o próprio Governo. "Acho que é uma conversa dele com o Governo. Para nós, não altera nada. Ele não é funcionário da Câmara. Na Câmara, vamos cumprir nossa responsabilidade. O nosso presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está empenhado. Nós vamos fazer a reforma", comentou Moreira.

Para ele, a ameaça do ministro em deixar o cargo não influenciará deputados a votarem pela reforma. O relator reforçou que trabalha para que a versão a ser aprovada pelo Congresso traga a economia de R$ 1 trilhão em dez anos.