Atuação do Itamaraty em viagem de Weintraub para os EUA pode ser apurada

Uso do passaporte diplomático em viagem sem caráter oficial pode configurar desvio de finalidade

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 22:54)
Legenda: Abraham Weintraub deixou o Brasil para assumir cargo no Banco Mundial, em Washington (EUA

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) ingressou ontem (22) com uma representação para que a Corte apure uma suposta participação irregular do Itamaraty na viagem do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para os Estados Unidos, no sábado. Na avaliação do sub-procurador Lucas Furtado pode ter havido desvio de finalidade por parte da pasta comandada por Ernesto Araújo, já que o ingresso de Weintraub em Miami, sem caráter oficial, ocorreu com uso do passaporte diplomático.

Na representação, Furtado ressalta que a viagem não tinha caráter oficial, "o que lhe retira a finalidade pública" e, por isso, o passaporte diplomático não poderia ter sido utilizado. Os EUA impuseram restrições de entrada e saída por causa da pandemia do novo coronavírus. A condição de ministro, portanto, foi fundamental para o desembarque de Weintraub naquele país. Assim como Weintraub, Araújo integra a chamada ala ideológica do governo. O Itamaraty foi procurado, mas não respondeu à reportagem.

A exoneração de Weintraub foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de sábado, somente após ele desembarcar em Miami A demissão "a pedido" foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ajuda

Na representação, o Ministério Público reforça que consultou as agendas públicas de Weintraub no MEC e constatou que não havia agenda oficial em Miami no sábado. Por isso, o procurador agora quer saber por que Weintraub "só teve sua exoneração formalizada depois de se encontrar em terras norte-americanas".

Furtado também pede que o TCU investigue se houve gasto de dinheiro público com a viagem do ministro. "Se houve o emprego de valores públicos em qualquer fase desta viagem, esses recursos foram indevidamente empregados e deverão ser ressarcidos ao erário", destaca o sub-procurador.

Desde sábado, o jornal O Estado de São Paulo questiona o ministério da Defesa se algum avião da Força Aérea Brasileira foi usado no transporte de Weintraub. Num primeiro momento a pasta pediu mais prazo para responder. Depois, disse que apenas o Palácio do Planalto poderia dar essa informação. As assessorias da Casa Civil e da Secretaria Geral da Presidência não comentaram. A assessoria do MEC diz que o ministro saiu do País em avião de carreira e pagou as despesas do próprio bolso, mas não apresentou documentos.

Weintraub afirmou nesta segunda,  no Twitter, que recebeu a ajuda de "dezenas de pessoas" para "chegar em segurança aos Estados Unidos". "Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim", postou o ex-ministro, com foto em frente a um restaurante de culinária mexicana.