Atos pró-democracia e outros a favor do Governo Bolsonaro ocorrem neste domingo (7) no País

Em Fortaleza, concentração de ato contra o fascismo foi marcada para a Praça Portugal, que foi bloqueada desde a manhã por forças de segurança

Manifestações antifascista em Fortaleza neste domingo (07)
Legenda: Manifestantes permaneceram nos arredores da Praça Portugal, com forte acompanhamento de agentes de segurança
Foto: Kid Jr.

Manifestantes foram às ruas, neste domingo (7), em diversas cidades do País. Enquanto alguns atos foram convocados por movimentos antifascistas e com a demanda de fortalecimento da democracia, outros tiveram como ponto central a defesa do Governo Jair Bolsonaro e a crítica a outros Poderes. Em Fortaleza, forças de segurança bloquearam a Praça Portugal, para onde estava convocada a concentração de manifestação antifascista para a tarde deste domingo. Dispersados, os manifestantes seguiram em caminhada da Avenida Desembargador Moreira, na Aldeota, em direção à Praia de Iracema. Houve detenções. 

Procurada pelo Diário do Nordeste, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que equipes da Polícia Militar foram deslocadas para a Praça Portugal e seus arredores "em cumprimento às medidas de isolamento social rígido" previstas em decreto estadual, que visa conter a propagação do novo coronavírus no Ceará.

Segundo a Pasta sete pessoas foram detidas. Seis fizeram Termos Ciscusntanciados de Ocorrência (TCOs), e uma foi presa por desacato. A identidade delas não foram informadas.

Com o decreto de isolamento social ainda em vigor na Capital, policiais bloquearam vias de acesso à Praça Portugal e poucos manifestantes se reuniram no entorno do espaço. Com pedidos de respeito ao distanciamento social recomendado, os presentes seguiram em caminhada até as proximidades do Clube Náutico, na Avenida Beira Mar. Nos prédios dos arredores da Praça Portugal, alguns moradores aplaudiram manifestantes e gritaram palavras de apoio ao ato. 

Os agentes de segurança tentaram dispersar o protesto ainda nos arredores da Praça Portugal, mas os presentes preferiram seguir o trajeto inicialmente previsto para o ato.

A manifestação seguia tranquila, mas a reportagem registrou detenções ainda no início da caminhada dos manifestantes em direção à praia. Um grupo foi encaminhado ao 2º Distrito Policial da Polícia Civil do Estado do Ceará, no Meireles, onde, segundo a SSPDS, "cada caso será avaliado e será feito o procedimento devido".

Inicialmente, a Defensoria Pública do Estado do Ceará havia informado que 12 pessoas tinham sido detidas, mas depois confirmou que foram dez detenções, três a mais que as confirmadas pela SSPDS. Uma equipe do órgão está no local e deve se informar sobre cada caso. Até o início da noite, nove pessoas já haviam sido liberadas.

Também não houve balanço do número de manifestantes nem por parte dos organizadores, nem da Polícia Militar. 

Detenções

Segundo a SSPDS, a mulher presa foi detida após se exaltar e desacatar os policiais no local. "Após alertas feitos pelos militares, ela manteve o comportamento ofensivo e recebeu voz de prisão", informou o órgão. Ela foi levada para o 2º Distrito Policial (DP), onde prestou depoimento foi autuada em flagrante por crime contra a administração pública e também "por infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa".

Dos outros seis encaminados à delegacia, quatro foram detidos por policiais do Comando de Policiamento de Choque (CPChoque) por descumprirem as medidas de isolamento rígido. Além deles, dois homens foram revistados próximos ao local da manifestação e, ainda de acordo co a SSPDS, foram encontrados com eles uma trouxinha, um cigarro de maconha, três pinos de cocaína, tesoura e papel seda.

Na última sexta-feira (5), o governador Camilo Santana (PT) foi às redes sociais para dizer que sempre apoiará "o engajamento dos brasileiros em defesa da democracia", mas afirmou ser "absolutamente contra a realização de quaisquer atos nas ruas neste momento grave de pandemia".  "Há no Ceará um decreto que proíbe aglomerações e deve ser respeitado”, lembrou.

Legenda: Também não houve balanço do número de manifestantes nem por parte dos organizadores, nem da Polícia Militar.
Foto: Kid Júnior

Outras capitais

Em São Paulo, manifestações a favor da democracia - e com críticas ao presidente - ocorreram no Largo da Batata, enquanto apoiadores de Jair Bolsonaro se concentraram, mais cedo, na avenida Paulista. Isto ocorre após a Justiça do Estado determinar que protestos antagônicos não poderiam ocorrer no mesmo espaço.

Na manifestação pró-democracia, manifestantes também lembraram a campanha “Vidas Negras Importam”, semelhante ao que vem ocorrendo em outras partes do mundo.

Por outro lado, os presentes na Paulista voltaram a defender intervenção militar, criticaram o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), e declararam apoio ao Governo Bolsonaro. O grupo também defendeu o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF). 

No Rio de Janeiro, pela manhã, grupos a favor e contra o Governo se reuniram na Praia de Copacabana. Não houve registro de confrontos entre os manifestantes, que se concentraram em pontos diferentes da praia. Apoiadores de Bolsonaro se posicionaram como a Marcha da Família Pró-Bolsonaro com Deus.

À tarde, manifestantes vestidos de preto e usando máscaras de proteção contra a Covid-19 tomaram uma das pistas da Avenida Presidente Vargas, no Centro da cidade carioca, para protestar contra o racismo e a violência policial nas favelas. A manifestação não registrou nenhum contratempo significativo. Um grande número de policiais acompanhou a passeata por todo o trajeto e revistou participantes.

Já em Brasília, manifestantes favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro se concentraram na manhã deste domingo na Esplanada dos Ministérios. Pessoas vestidas nas cores verde e amarelo carregavam bandeiras do Brasil e emblemas da monarquia. Alguns levavam faixas com pedidos de “intervenção cívico-militar”.

Policiais isolaram o canteiro central da Esplanada para evitar o contato entre os manifestantes opostos, já que um ato contra o Governo também foi realizado. Os principais gritos e faixas foram em defesa da democracia, contra o racismo e o fascismo e também contendo críticas ao presidente.

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