Sem testagem em massa, taxa de letalidade da Covid-19 chega a 3,5% no Brasil

A relação entre número de mortos pelo novo coronavírus e o total de infectados é considerada elevada no Brasil e difere de estado para estado

Um indicador sobre a gravidade da proliferação do novo coronavírus no Brasil é a taxa de letalidade, uma razão entre a quantidade de indivíduos que já morreram e o número total de infectados. O Brasil, que contabilizava, até esta quarta-feira, 241 mortes pela Covid-19, apresenta uma taxa nacional de letalidade de 3,5%, similar a de países como a Itália, principal epicentro da pandemia na Europa. O Piauí é o estado com o percentual mais elevado do País (22,2%). O Ceará está abaixo da taxa nacional, com 1,8%.

Para se ter ideia, a Alemanha é um dos países com a menor taxa de letalidade, abaixo de 1%. O segredo dos alemães foi realizar testagem em massa de detecção do vírus até em pacientes sem sintomas. Com mais casos notificados, a taxa fica baixa na comparação com o número de mortes, também evitadas na Alemanha devido à qualidade de seu sistema de saúde, referência mundial.

Segundo o Ministério da Saúde, até esta quarta-feira, o Piauí registrava quatro mortes pelo novo coronavírus, com apenas 18 casos da doença confirmados, o que proporcionalmente torna sua taxa de letalidade muito elevada. Procurada pela reportagem, a assessoria do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), não respondeu ao pedido de uma explicação sobre a situação, até o fechamento deste texto.

Dos quatro óbitos confirmados no Piauí, dois aconteceram na capital, Teresina, sendo de um casal de idosos, informou o G1 Piauí. Outra vítima foi o prefeito de São José do Divino, Antônio Nonato de Lima Gomes, 57 anos, e o empresário Oderman Bittencourt, em Parnaíba.

O estado vizinho adota o isolamento social e medidas emergenciais determinadas por meio de decretos do Governo estadual e das prefeituras, como na capital piauiense. A ordem é ficar em casa e evitar sair às ruas.

Os casos suspeitos no Piauí subiram de 254 para 256 e, até o momento, 451 casos já foram descartados.

Oficialmente, nesta quarta-feira, foram anunciadas 40 novas mortes. O resultado é o segundo maior resultado diário da série histórica do Ministério da Saúde, perdendo apenas para o dia anterior, quando foram registrados 42 novos óbitos. No tocante ao perfil dos falecidos, 60% eram homens e 40%, mulheres. No recorte por idade, 89% das vítimas tinham acima de 60 anos.

Em relação ao quadro de saúde, 127 apresentavam alguma doença do coração, 84 tinham diabetes, 36 experimentaram alguma condição de pneumopatia e 28 estavam com doenças neurológicas.

As hospitalizações chegaram a 1.274, sendo 9.271 em São Paulo.

Sobre o aumento do número de casos, o secretário executivo do MS, João Gabbardo dos Reis, argumentou que a progressão está "dentro do esperado" e está relacionada ao aumento da testagem de casos suspeitos e até mesmo de pessoas que morreram.

Com a distribuição de mais kits, o Governo e as secretarias estaduais terão condições de realizar mais exames, o que deve identificar mais pessoas infectadas.

Nesta quarta-feira, por exemplo, começaram a ser encaminhados 500 mil testes rápidos.

"O número está dentro das nossas projeções. Temos demanda de pessoas aguardando para fazer teste. Isso vai acontecer. Não vai ser surpresa que tenhamos acréscimo de casos confirmados e de óbitos, que estão aguardando exames", comentou o secretário.

O número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus no País subiu para 6.836, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira.

Na avaliação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o Brasil está experimentando uma "subida da curva". Apesar das medidas de distanciamento social, os números da doença refletem a realidade de duas semanas atrás, quando muitos estados ainda não estavam com diversas atividades suspensas.

O impacto dessas iniciativas será sentido somente no meio do mês. "Vamos colher os frutos dessa semana que estamos agora nos próximos 14 dias. Ainda estamos pagando o que fizemos até duas semanas atrás", explicou o titular da Pasta da Saúde.

Sem internet

O atraso tecnológico da Saúde pública prejudica o monitoramento dos casos da Covid-19 no Brasil. Diante disso, até o fim deste mês, todas as unidades de saúde do Brasil estarão conectadas pela internet, prometeu o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

Indígena infectado

Amazonas confirmou, nesta quarta, o primeiro caso do novo coronavírus entre indígenas brasileiros. Trata-se de uma jovem de 20 anos de idade, da etnia Kokama, que trabalha como agente de saúde indígena na região da cidade de Santo Antônio do Içá (AM). A paciente pode ter tido contato com o médico que atua na sua região e que também testou positivo. Outros 12 indígenas que tiveram contato com o médico estão em isolamento preventivo.


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