Lockdown em Fortaleza deve estancar caos na saúde e deteriorar a economia

Preocupação com colapso na saúde prevalece em decisão inevitavelmente amarga para a economia

Legenda: Há um enorme contingente de desempregados e desalentados - trabalhadores que, com este novo cadeado nas atividades econômicas, serão colocados em um situação de penúria
Foto: José Leomar

Inevitável diante da deterioração do quadro sanitário, o novo lockdown em Fortaleza, anunciado pelo governador Camilo Santana e pelo prefeito José Sarto na noite desta quarta-feira (3), deve frear a trajetória assustadora de proliferação da Covid-19, cujos efeitos têm sido devastadores para o sistema de saúde.

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Nas últimas semanas, tem se desencadeado uma aflitiva escalada de casos, internações e mortes, não só no Ceará, mas em praticamente todo o território nacional. O Brasil chegou à marca brutal de 1.840 óbitos registrados em apenas 24 horas e marcha para dias ainda piores, conforme projetam as principais autoridades científicas do País.

Utilizado largamente em todas as partes do mundo, o lockdown é uma saída tão indigesta quanto necessária em determinadas situações. Se bem aplicado, tem força para conter o alastramento do vírus. 

No entanto, a medida de fechamento carrega, neste ano, um peso bem diferente do que apresentara em 2020. A economia agora se encontra bastante combalida, sobretudo com o fim das medidas de estímulo que, em considerável medida, alicerçaram o consumo e o emprego no ano passado, com destaque para o auxílio emergencial e a MP 936 de redução de salários e jornadas.

Há um enorme contingente de desempregados e desalentados - trabalhadores que, com este novo cadeado nas atividades econômicas, serão colocados em uma situação de penúria, sem perspectivas de renda.

Com muitas empresas no vermelho, setores já debilitados, como o de serviços e o turismo, por exemplo, enfrentarão dias amargos. É certo o fechamento definitivo de muitos negócios, principalmente de menor porte, os quais não mais possuem forças para enfrentar a crise.

Neste surreal pandemônio do qual somos testemunhas há mais de um ano, os reais tomadores de decisões, aqueles que de fato encaram esta crise como um problema de magnitude sem precedentes na história recente, têm diante de si dilemas muito complexos.

A esta altura, em meio ao cansaço generalizado da população com esta interminável tormenta, não há decisão que não incomode ou não gere consequências negativas.



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