Os planos de saúde individuais e familiares do Ceará poderão aplicar reajuste anual de até 5,11% para contratos válidos entre maio de 2026 e abril de 2027, conforme índice máximo definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nessa sexta-feira (29/5).
Unimed Ceará e Unimed Fortaleza já afirmaram que aplicarão o percentual máximo permitido. As informações foram confirmadas pelas operadoras de saúde ao Diário do Nordeste por meio de notas (leia abaixo na íntegra). A reportagem também entrou em contato com o Hapvida, que não deu retorno até o momento de publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.
Conforme a regulamentação da ANS, o novo valor passará a valer a partir do mês de aniversário de cada contrato. No caso de contratos com data de aniversário em maio e junho, a cobrança será realizada a partir de julho ou agosto, com efeitos retroativos ao mês de aniversário do contrato.
O percentual é o menor já definido pela ANS, com exceção de 2021. À época, o reajuste definido foi negativo devido ao período de isolamento social da Covid-19 e ao consequente uso reduzido dos serviços de saúde.
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Para as simulações, foi considerada uma mensalidade base de R$ 100, reajuste completo de 5,11% e cobrança a partir de julho.
Associação Brasileira de Planos de Saúde critica reajuste
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) criticou o valor máximo de reajuste definido pela ANS. Na visão da entidade, os índices aplicados não acompanham a “variação dos custos médico-hospitalares, da incorporação tecnológica, da judicialização e do aumento da utilização dos serviços”.
Por meio de nota (leia abaixo na íntegra), o diretor da Abramge, Marcelo Dietrich, destacou o impacto do cenário para operadoras de pequeno e médio porte.
Segundo ele, “em 2025, esse grupo registrou resultado operacional negativo de aproximadamente R$ 200 milhões, enquanto cerca de 45% das empresas do segmento encerraram o período no prejuízo”.
Nota da Unimed Fortaleza
A Unimed Fortaleza informa que seguirá a definição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referente ao reajuste anual dos planos individuais e familiares.
De acordo com a cooperativa, será aplicado o índice de 5,11%, aprovado pela agência reguladora para o período de 2026. O reajuste incidirá no mês de aniversário de cada contrato, conforme as diretrizes normativas da ANS.
A medida será válida para beneficiários de planos individuais e familiares com data-base entre maio de 2026 e abril de 2027.
Nota da Unimed Ceará
A Unimed Ceará aplica, anualmente, os reajustes conforme as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), prática que faz parte da dinâmica regulatória do setor. Para o ciclo vigente, será aplicado o percentual de até 5,11% definido pela ANS para os planos individuais e familiares, após a publicação oficial pela Agência no Diário Oficial da União.
O reajuste será aplicado a partir de julho, de acordo com o mês de aniversário de cada contrato, conforme previsto na regulamentação da ANS, respeitando o ciclo individual de cada beneficiário.
A Unimed Ceará reconhece que o reajuste definido pela ANS segue critérios técnicos e regulatórios, considerando a variação dos custos assistenciais, a incorporação de novas tecnologias e o aumento da utilização dos serviços de saúde. Trata-se de uma medida importante para garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e a sustentabilidade da assistência prestada aos beneficiários, sempre em conformidade com as diretrizes da Agência.
Nota da Abramge
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE) avalia que o reajuste dos planos individuais e familiares, nos patamares que vêm sendo sinalizados, não acompanha a efetiva variação dos custos médico-hospitalares, da incorporação tecnológica, da judicialização e do aumento da utilização dos serviços. Essa defasagem tende a aprofundar o desequilíbrio entre a evolução real dos custos assistenciais e os mecanismos de recomposição das receitas, tornando cada vez mais desafiadora a sustentabilidade do sistema.
“O cenário é especialmente sensível para operadoras de pequeno e médio porte, que possuem menor capacidade de absorver impactos regulatórios, administrativos e assistenciais. Em 2025, esse grupo registrou resultado operacional negativo de aproximadamente R$ 200 milhões, enquanto cerca de 45% das empresas do segmento encerraram o período no prejuízo”, afirma Marcelo Dietrich, diretor da Abramge e liderança de pequenas e médias operadoras na entidade.
A Abramge defende a ampliação do debate técnico sobre a metodologia aplicada aos reajustes dos planos individuais, com participação dos diferentes agentes da saúde suplementar, de forma a fortalecer previsibilidade regulatória, equilíbrio econômico-financeiro e condições sustentáveis para a manutenção da oferta assistencial.