CE vai acelerar ações contra seca
O governador recebeu ontem uma missão do Fundo Interamericano de Desenvolvimento Agrícola (Fida)
Uma missão de técnicos do Fundo Interamericano de Desenvolvimento Agrícola (Fida) encerrou, ontem, uma visita ao Ceará para avaliar o andamento dos projetos no Estado. Durante a reunião com o governador Camilo Santana, os representantes da agencia das Nações Unidas se mostraram satisfeitos com os resultados obtidos em ações de enfrentamento à seca, mas cobraram maior celeridade no andamento dos projetos no Estado. A vice-presidente do Fida, Lakshmi Menon, disse que conta com o empenho do governo para que os programas avancem.
"Vamos tentar recuperar esse tempo de dois anos de baixa execução", disse Camilo, em referência ao Projeto Paulo Freire, iniciado em 2013 e que tem um orçamento de US$ 80 milhões, sendo US$ 40 milhões oriundos do fundo e R$ 40 milhões de contrapartida do Governo do Estado. "A prioridade, nesses primeiros anos de governo, é não deixar faltar água não só para beber, mas também para produzir", disse. O projeto, voltado para capacitação e formação de planos de negócios para pequenos agricultores de comunidades pobres, contempla as regiões dos Inhamuns, Cariri e Sobral.
Atualmente, o Fida tem duas operações ativas no Ceará. Além do programa Paulo Freire, executado exclusivamente no Estado, o fundo financia o programa Dom Helder Câmara, no valor de US$ 125 milhões, que está sendo realizado em parceria com a União e conta com ações em seis estados mais o Ceará, onde está sendo iniciada a segunda etapa. Enquanto o Paulo Freire é voltado para ações educativas, o Dom Helder Câmara está ligado à produção. Nos dias 18 e 19 deste mês, 11 técnicos do Fida visitaram localidades contempladas pelo programa no Ceará e no Rio Grande do Norte.
Assistência técnica
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), o projeto Paulo Freire deverá beneficiar 60 mil famílias, em 31 municípios, das quais 30 mil serão agraciadas com investimentos e 30 mil serão acompanhadas com assistência técnica. "O projeto vinha com uma execução muito pequena e está com a execução baixa, mas com o time completo, com a contratação dos técnicos, a gente pode dar velocidade na execução do programa, até porque o dinheiro está garantido", disse Camilo.
Para Oscar Garcia, diretor geral do escritório de avaliação independente do Fida e chefe da missão que visitou o País, a avaliação foi positiva. "Essa é a segunda avaliação que o escritório independente do Fida faz no Brasil, a primeira foi em 2007, e eu posso dizer com satisfação que os resultados dessa avaliação são melhores do que em 2007". Para Garcia, as principais melhorias estão relacionadas com a administração de água no semiárido. "Os projetos têm sido inovadores na reutilização da água com fins produtivos", disse.
Sobre o andamento dos programas, Garcia se mostrou otimista. "A equipe está formada. Esperamos agora que ela possa começar a executar e implementar os projetos com maior velocidade". O diretor geral do escritório de avaliação destacou a importância do governador para que as ações sejam implantadas de maneira mais acelerada. "É importante que arranjos institucionais estejam em ordem". Dos US$ 450 milhões que o Fida disponibiliza para todo o Brasil, um terço é recurso direto do fundo e o restante de parcerias com a União, estados e beneficiados.
Novas estratégias
Na próxima sexta-feira (23), os técnicos do Fida se reúnem em Brasília (DF) para avaliar novas estratégias do fundo para o País. Segundo Paolo Silveri, gerente de programas para a carteira do Fida no Brasil, a estratégia anterior terminou em 2014, e a primeira conversa para definir novas operações será realizada após a conclusão do trabalho de análise externa realizado neste mês. "Vamos formular uma nova estratégia com parceiros brasileiros em nível federal".
Segundo o secretário adjunto da SDA, Wilson Brandão, o Ceará também irá propor a elaboração de novas ações.