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ArcelorMittal Pecém tem prejuízo de R$ 168 milhões em 2025 com tarifaço dos EUA

Além do tarifaço de Trump, importações de aço da Ásia são fatores contribuintes para o resultado.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
30 de Abril de 2026 - 10:16 (Atualizado às 12:03)
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Legenda: Complexo do Pecém
Foto: Divulgação

A ArcelorMittal Pecém registrou prejuízo líquido de R$ 168,6 milhões no ano passado, revertendo um lucro acima de R$ 1,1 bilhão registrado em 2024. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (30).

Praticamente todos os principais resultados operacionais da empresa registraram forte queda no comparativo entre 2025 e 2024.

Além do prejuízo líquido, a empresa teve uma queda na receita líquida de vendas, que voltou a ficar abaixo dos R$ 10 bilhões. 

EBITDA cai mais de 90% em um ano

O resultado financeiro já esperado pela companhia após um ano de 2025 considerado "desafiador", nas palavras de Erick Tôrres, CEO da ArcelorMittal Pecém.

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (conhecidos pela sigla EBITDA) alcançaram R$ 102,7 milhões no ano passado, 90,5% a menos do que em 2024.

O lucro bruto foi de R$ 205,8 milhões, 82,8% menor no comparativo entre os anos. Já a receita líquida de vendas foi de R$ 9,2 bilhões, queda de 12%.

Em mensagem divulgada com os resultados, Tôrres explicou que o cenário foi mais complicado em virtude do tarifaço imposto pelo Governo dos Estados Unidos e seus desdobramentos.

"Mudanças na geopolítica global e práticas de comércio contrárias às regras de mercado ampliaram a pressão competitiva e exigiram resiliência e eficiência operacional", declarou.

Na produção de materiais, a ArcelorMittal Pecém trouxe como destaque os 25 milhões de toneladas produzidas de ferro-gusa, principal matéria-prima do aço.

Aço foi um dos produtos mais sobretaxados em 2025

A indústria siderúrgica brasileira foi uma das mais atingidas com o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de 2025. Os produtos chegaram a ter uma sobretaxa de 50%.

Das pouco mais de 3 milhões de toneladas de aço produzidas em 2025 pela ArcelorMittal Pecém, segundo declarações de Erick Tôrres, 30% tem como destino o mercado estadunidense, e foram impactadas pelo tarifaço.

Com os preços mais pressionados dos EUA, outros produtores de aço acabaram redirecionando a produção para o mercado brasileiro, com preços mais baixos do que o das siderúrgicas locais.

Segundo o CEO da ArcelorMittal Pecém, as importações são legítimas, mas é preciso que aconteça em condições equilibradas, "assegurando isonomia entre todos os participantes".

Demissão de trabalhadores terceirizados da ArcelorMittal

O balanço financeiro de 2025 divulgado pela companhia não considera o recente impasse envolvendo os trabalhadores da Evsa.

A empresa terceirizada teve o contrato encerrado com a ArcelorMittal Pecém no início de abril. No dia 8 do mesmo mês, os 398 funcionários da Evsa foram impedidos de acessar o local de trabalho e não receberam esclarecimentos sobre o processo de desligamento formal da empresa. 

O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região determinou, em 24 de abril, que todo o material da Evsa que se encontra no pátio da ArcelorMittal Pecém seja penhorado para pagar R$ 15 milhões de rescisões para os trabalhadores que serão demitidos.

A ArcelorMittal informou que a prestação de serviços firmada foi encerrada devido a diversos descumprimentos, e frisou que é de responsabilidade da Evsa o pagamento dos colaboradores e fornecedores, além de garantir que não existem pendências com a terceirizada. 

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