Aquisição e abertura de capital consolidam cearenses no mercado

Movimentações executadas por grupos como Hapvida e Arco, que ingressaram na bolsa de valores recentemente, projetam o Estado e atraem os olhares de investidores dentro e fora do País

"Hoje é o dia do Ceará", disse Cândido Pinheiro Júnior, vice-presidente comercial da Hapvida, Ari de Sá Neto, presidente e fundador da Arco, no dia 7 de maio, quando as empresas anunciaram aquisições que somavam R$ 6,65 bilhões. No dia, a Hapvida divulgou a compra do Grupo São Francisco por R$ 5 bilhões e a Arco Educação (holding que controla o SAS Plataforma de Educação), a compra do sistema de ensino do Grupo Positivo, avaliado em R$1,65 bilhão.

Se aquele foi o dia do Ceará, é possível dizer que 2019 tem sido, até agora, o ano das duas empresas, que estrearam na Bolsa em 2018. Enquanto as ações da Hapvida acumulam alta de 12% neste ano, o Ibovespa, principal índice da B3, ficou praticamente estável, com menos de 1% de alta. E a Arco, que é negociada na Bolsa norte-americana Nasdaq, que reúne as principais empresas do setor de tecnologia do mundo, acumula alta de 74% no ano, enquanto o Nasdaq Composite sobe 14%.

Desde o IPO (oferta pública inicial), em abril do ano passado, as ações da Hapvida subiram 25%, enquanto as da Arco, que abriu capital em setembro, sobem 68%. Atualmente, o valor de mercado das empresas gira em torno de R$ 23,5 bilhões (Hapvida) e US$ 1,9 bilhão (Arco).

"Essas aquisições fazem parte de um movimento de empresas que já estão bem situadas no mercado, que foram geradoras de caixa ao longo do tempo. E, para se consolidar, não há outra maneira que não seja por meio de aquisição", diz o economista Sérgio Melo, presidente da SM Consultoria. "Do ponto de vista de bolsa, a valorização das ações reflete a percepção do mercado sobre a capacidade da empresa gerar lucro no futuro".

Perspectivas

Para Sérgio Melo, as recentes aquisições, que aumentam a participação das empresas no mercado nacional, deverão proporcionar um rápido crescimento dos resultados. "Há duas formas de crescer: organicamente, abrindo filiais, o que é um processo lento, ou adquirindo um concorrente, fazendo com que a consolidação no mercado seja muito mais rápida".

Em comunicado feito na semana passada, a Hapvida afirmou que, com a efetivação da compra do Grupo São Francisco, alcançará liderança nacional em número de beneficiários. Agora, a concretização da transação está condicionada à aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Integrantes dos setores de saúde e educação, que estão entre os que mais crescem no mercado brasileiro, Hapvida e Arco apresentam uma boa relação entre risco e retorno, diz Sérgio Melo. "São papéis que não correm grandes riscos de desvalorização e, como estão em processo de consolidação, deverão apresentar uma valorização acima da média, caso não surjam fatos novos, é claro", detalha.

As recentes aquisições vêm atraindo as atenções do mercado de capitais para o Ceará. "Ter mais empresas de capital aberto aumenta muito a visibilidade do Estado. O movimento que eu tenho visto é que mais gestores estão olhando para o Ceará", diz Elísio Medeiros assessor e sócio da Conceito Investimentos.

Para ele, a atenção depositada em empresas cearenses ajuda o mercado local na medida em que mais investidores dispõem de informações sobre essas companhias, dando maior liquidez aos seus papéis na Bolsa. "Isso traz uma visão boa para o Estado, que já tinha o exemplo da M. Dias Branco. E a Pague Menos deverá abrir o capital em breve".

Pioneira

O caminho trilhado por Hapvida e Arco já foi traçado pela M. Dias Branco, que desde o IPO, em 2006, viu seu valor de mercado multiplicar por mais de cinco vezes, com uma alta de 490% de suas ações. A bem-sucedida trajetória de aquisições da M. Dias Branco teve início em 2003, quando adquiriu o Grupo Adria e assumiu a liderança nacional do setor de massas e biscoitos, posição que mantém até hoje.

O último movimento nesse sentido foi realizado há um ano, com a compra da Piraquê. Hoje, o valor de mercado da M. Dias Branco gira em torno de R$ 13 bilhões.

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