Polícia mata suspeito de atirar em militante de extrema direita em Portland, diz New York Times

O tenente Ray Brady, representante do xerife do condado de Thurston, disse que quatro policiais dispararam suas armas após o suspeito sair de um apartamento e entrar em um veículo

Agentes de segurança mataram a tiros, na noite de quinta-feira (3), um simpatizante de grupos antifascistas suspeito de disparar contra um militante de extrema direita em Portland, informou o New York Times.

Autoridades disseram ao jornal que policiais dispararam contra Michael Forest Reinoehl, 48, durante uma operação que visava prendê-lo em Lacey, no estado de Washington.

"Enquanto eles tentavam prendê-lo, houve disparos de arma de fogo", disse em entrevista o tenente Ray Brady, representante do xerife do condado de Thurston. Não está claro se o suspeito fez algum disparo.

Brady também disse que quatro policiais dispararam suas armas após o suspeito sair de um apartamento e entrar em um veículo.Testemunhas disseram ter ouvido os disparos e visto o corpo de Reinoehl no chão. Uma delas disse ter visto os policiais tentando reanimar o homem baleado.

Reinoehl era suspeito de ter matado a tiros Aaron J. Danielson durante confrontos no último sábado (29) em Portland, no estado do Oregon. Na ocasião, Danielson usava um boné com uma insígnia do grupo de extrema direita Patriot Prayer (oração patriótica, em português).

Mais cedo na quinta-feira, a revista eletrônica Vice News havia publicado uma entrevista com Reinoehl em que ele parecia admitir o homicídio, alegando ter agido em legítima defesa. "Eu não tive escolha ... Eu poderia ter ficado ali sentado vendo eles matarem um amigo negro meu, mas eu não faria isso", ele disse.

Em publicações nas redes sociais, Reinoehl declarava ser "100% Antifa".

Há mais de três meses consecutivos, Portland tem sido palco de manifestações contra o racismo e a violência policial. Nas últimas semanas, a cidade tem registrado conflitos entre manifestantes antirracistas e simpatizantes do governo Trump.

Outras cidades dos Estados Unidos têm registrado episódios de violência desde o início da onda de protestos contra a violência policial que se seguiu ao assassinato de George Floyd na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, em maio.

A tensão racial no país se tornou um dos principais assuntos da corrida pela Casa Branca. Nesta semana, o presidente Donald Trump e seu rival democrata, Joe Biden, visitaram a cidade de Kenosha, no Wisconsin, onde mora Jacob Blake, homem negro que ficou paralisado após ser baleado pelas costas por policiais brancos.

Biden se reuniu com a família de Blake e falou com ele pelo telefone, insistindo em uma narrativa diferente de Trump. O republicano esteve na cidade antes do democrata, mas se recusou a encontrar os parentes de Blake após saber que um advogado da família estaria presente.

Ao invés disso, Trump se encontrou com policiais, cujo trabalho elogiou, e chamou os protestos antirracistas e contra a violência policial que irromperam na cidade de "terrorismo doméstico".

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