Marinheiro alvinegro: atacante Cléber vive ansiedade para estreia pelo Ceará

Artilheiro do Campeonato Cearense, o centroavante de 23 anos mostra gana para aproveitar a "grande chance da vida" e revela motivo que o fez escolher o Alvinegro

Legenda: Atacante teve pouco tempo para conhecer os colegas até que foi liberado em virtude da crise do coronavírus
Foto: Foto: Lucas Catrib

Cinco anos é tempo suficiente para transformar uma vida. No mundo do futebol, então, nem se fala. No caso do atacante Cléber, do Ceará, a mudança foi gigantesca e seguiu trajetória bastante peculiar. Das forças armadas aos gramados de futebol, o soteropolitano de 23 anos se prepara para realizar um sonho de criança e aproveitar a grande chance da vida vestindo a camisa do Vovô, após se destacar como artilheiro do Campeonato Estadual pelo Barbalha.

Os sete gols marcados pelo time interiorano renderam a oportunidade de se transferir para o Alvinegro e disputar a Série A do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. Ainda mais com uma proposta irrecusável, segundo ele, que será capaz de transformar a história da sua família.

Sem dúvidas que é a grande chance da minha vida, para eu poder ajudar minha família. Vim da favela, sou humilde e tô lutando pra poder ajudar meu irmão, minha mãe, meu pai e todos da minha família da melhor forma. Vou encarando como se fosse a oportunidade da minha vida", revela, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.

Discreto

O centroavante de origem humilde chegou em Porangabuçu de forma discreta. Sem muitos holofotes, foi se adaptando e já estava entrosado com os companheiros quando houve a paralisação das atividades por conta do coronavírus. Agora, está em quarentena junto da família, em Salvador, mas mesmo assim não perde o foco.

"Meu início foi muito bom. Desde que cheguei, fui muito bem recebido por comissão técnica e atletas, fiquei muito feliz. Já estava me sentindo bem. Tô treinando aqui. Os preparadores físicos passam treino pra gente, tem uma lista pra fazer, e sigo fazendo todo dia para manter a forma. Não pode parar", garante, destacando que gosta de aproveitar o tempo livre para jogar videogame, ouvir música e acompanhar os jornais para se manter informado. Tranquilo e de fala mansa, Cléber não nega que o fator financeiro foi determinante para recusar Ferroviário e Fortaleza, que também tinham interesse em contar com seu futebol.

"Antes do jogo com o Fortaleza, já vinha conversando com o pessoal do Ferroviário. Mas nada de adiantar as coisas, apenas conversando. E logo depois do jogo teve aquela situação da foto com o Rogério Ceni, que veio falar comigo, elogiar que eu fiz um gol e dei uma assistência, e causou aquela coisa. Fortaleza se interessou, Ferroviário se interessou. E a proposta do Ceará foi a melhor que tinha no momento, não tive como recusar", diz ele, que já passou por Icasa, Vitória, Caucaia e Guarany de Sobral.

Dos mares aos gramados

Há cinco anos, ele nem sequer havia participado de algum clube e muito menos recebido oportunidade para atuar profissionalmente. Ao contrário disso, estava embarcando em uma jornada longe do mundo futebolístico. "Eu tive que servir a Marinha do Brasil por um ano, assim que fiz 18 anos. Hoje, vejo que foi algo que me ajudou muito na questão de disciplina, hierarquia. Eu fazia esportes, até joguei pela seleção da Marinha", brinca.

Centroavante de origem, Cléber tem também característica de mobilidade. Pode atuar até de ponta, características que vão se juntar ao leque que o técnico Guto Ferreira tem disponível.


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