Gildo é considerado o ídolo maior do Ceará

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Foto: Gustavo Pellizzon

Para os mais antigos, não há qualquer dúvida: Gildo Fernandes de Oliveira é o maior ídolo do Ceará Sporting Club nos seus 90 anos de existência. Artilheiro implacável e de sangue-frio na hora de fulminar os goleiros, esse pernambucano de apenas 1,70 de altura e pernas tortuosas chega aos 65 anos em paz com a vida.

Em 2000, ele finalmente viu ser reparada a injustiça cometida pelo time que sempre amou: há 30 anos, após tirar o Alvinegro de uma fila de sete temporadas sem título, ele foi dispensado. Hoje, “seu Gildo” é quem consegue manter, sem ajuda e com a mesma obstinação com a qual driblava os zagueiros adversários, as equipes de base do Vozão.

Sua trajetória esportiva começou em 1957, como juvenil do Santa Cruz, aos 17 anos. No ano seguinte, passou a atuar no aspirante, onde ficou até 1959, quando se contundiu. A lesão, aliás, viria a mudar sua história, para sorte dos torcedores do Ceará. O técnico do Alvinegro de então, o húngaro Janos Tatray, conseguiu trazê-lo por um empréstimo de quatro meses. Ao final do mesmo, o seu passe foi adquirido em definitivo.

De 1961 a 1965, permaneceu em Porangabuçu. Saiu para o América de São José do Rio Preto. Ficou no Interior paulista por três anos, tempo suficiente para ganhar o dinheiro que lhe possibilitou comprar sua casa atual. No final de 1968, inconformada com a situação do Ceará - sem ganhar um título há cinco anos -, sua torcida pressionou a diretoria a “repatriar” o já considerado eterno ídolo.

Em 1969, a compensação veio dentro de campo com o título inesquecível de campeão do Norte e Nordeste diante do Remo, no PV, tendo o atacante assinalado três gols nos dois últimos jogos da série de três. Mas, faltava retomar a hegemonia do futebol cearense. E esta voltou para o Vozão em 1971, com o título conquistado em cima do Fortaleza, após o empate de 2x2, no PV. No jogo inicial da série, Gildo foi peça fundamental. Ele fez gol do Vovô aproveitando, de cabeça, uma cobrança de tiro de meta mal executada pelo goleiro Cícero Capacete. No jogo final, quando o Vovô perdia por 2x1, Gildo sofreu a falta de Zé Paulo que originou, no final da partida, o gol de empate anotado por Epanor Victor.

“Ia em direção ao gol e o Zé Paulo me deslocou. Acho um absurdo alguém dizer que não houve falta no lance. Na cobrança, aconteceu o improvável. O Victor bateu. A barreira imaginava que ele mandaria uma bomba e acabou abrindo. A bola, sem tanta violência, resvalou no Renato (zagueiro do Leão), nas duas traves, e entrou. O Ceará acabava de se tornar novamente campeão”, explica emocionado.

DECEPÇÃO - A emoção pela esperada conquista foi ofuscada completamente após o campeonato. Depois de acertar tudo para sua renovação, foi dispensado. “Foi como se o mundo tivesse caído na minha cabeça. Depois de tanta dedicação, a ingratidão. Esperava, pelo menos, ser aproveitado em outra função no Ceará”. Em 1972, vestiu a camisa do Calouros do Ar. Em 1973, ainda no Time da Base Aérea, encerrou sua carreira aos 33 anos. A convite do ex-goleiro Ivan Roriz, foi trabalhar na Fábrica de Doces Real, como vendedor autônomo, durante 22 anos.

Foi tricampeão estadual pelo Ceará - 1961, 62 e 63 , além de campeão do Norte e Nordeste (Nordestão), em 1969 e novamente cearense, em 1971. Sua marca de artilheiro foi estabelecida no estadual de 1961, com 15 gols; em 1963, 16 gols. Em 1962, anotou 30 tentos, um a menos do que o artilheiro daquele certame, Haroldo Castelo Branco. Todavia, no mesmo ano, foi o destaque do Campeonato Brasileiro de Seleções, liderando o pelotão de goleadores, fazendo 11 gols pelo selecionado cearense.

Gildo é casado há 40 anos com dona Filomena Braga e reside no Bairro da Gentilândia - onde se localiza o PV, palco de suas inúmeras façanhas - e tem duas filhas: Eveline e Gimena, que lhe deu o único neto, Francisco, de 10 anos. Vive da aposentadoria de três salários e do que ganha na função que exerce no Ceará.

Fernando Maia