Ari: cearense bom pra russo ver
Na expectativa de defender a seleção russa na Copa 2018, atacante Ari fala sobre carreira e compra do Uniclinic
Juventude pobre, dificuldades que foram superadas com muita obstinação e amor pelo futebol. Ariclenes da Silva Ferreira, ou simplesmente Ari, de 32 anos, sonha em disputar a Copa do Mundo 2018 pela gélida Rússia, país-sede do Mundial.
Nos primeiros anos de vida, o pequeno Ari via em seus pais exemplos de vida e ajudava na labuta diária. "Sempre tive uma infância muito difícil. Desde pequeno, com meus 7 anos de idade, acompanhava minha mãe nas vendas, ela sempre trabalhou no centro da cidade, nas calçadas vendendo leite em pó, roupas. A partir dos 7 anos eu saía para vender frutas com os meus pais, lembro que a gente saía por volta das 14h e voltava umas 23h", recordou o atleta.
Após anos difíceis, Ari e família se mudaram para o conjunto Vicente Pinzón, onde o atacante cresceu e virou homem. "Nesse período a gente continuou vendendo frutas, teve um tempo em que ficamos caçando latinha na rua, trabalhei de servente, vendendo picolé, olhei carro na Beira Mar, já fiz de tudo nessa vida, foi uma infância bem complicada", mencionou.
Primeiros passos
Já nas categorias de base, Ari teve de viajar a Santa Catarina para ter as primeiras chances no competitivo mundo do futebol. "Cheguei a ir para o Avaí, Criciúma e uma passagem rápida pelo Vitória. Disputei Copinhas (Copa São Paulo de Futebol Jr) pelo Fortaleza, na primeira não fomos bem e, na segunda, chegamos até as quartas de final. Eliminamos até o Corinthians nas oitavas. Em sequência, tive passagem rápida pelo Fortaleza no Campeonato Cearense. Depois disso, tive a oportunidade de ir para a Suécia, Holanda, Rússia e a história foi sendo escrita", disse o atleta e gestor.
Sem tantas oportunidades no Tricolor de Aço, que disputava a Série A do Brasileiro em 2005, o atacante acabou sendo negociado com o Kalmar, da Suécia.
"Era tudo muito novo. Cheguei a pegar 18º negativos, chutava uma bola e parecia que estava chutando uma pedra, não sentia os dedos dos pés, das mãos, a orelha. Tive sorte nos times pelos quais passei na Europa, pois sempre havia brasileiros. No Kalmar tinha o César Santin (atacante), que havia jogado no Grêmio, e o Fábio Augusto (lateral/meia) que tinha atuado no Flamengo. Ambos me ajudaram no começo em relação ao idioma. Fui superando, sabia que a oportunidade era única", confessou.
Aprendizado
"Na passagem pela Holanda, trabalhei com o Louis van Gaal no Az Alkmaar, um cara muito rígido, disciplinador, também trabalhei com o Dick Advocaat, que comandou a Holanda recentemente. Já no Spartak Moscou trabalhei com o Unai Emery, atual treinador do PSG, e o Fabio Capello, que foi quem me incentivou a jogar pela seleção russa", explicou.
Copa pela Rússia
No futebol russo desde 2010, quando atuou pelo Spartak Moscou e, posteriormente Krasnodar, antes de acertar transferência para o Lokomotiv Moscou, Ari aguarda ser convocado.
"Com praticamente o passaporte na mão, daqui uns dois ou três meses, já posso me considerar um russo. Tendo sequência positiva no final do campeonato, sonho em ser convocado para disputar a Copa pela Rússia".
Uniclinic
"Objetivo é comprar o Uniclinic. Fizemos uma estrutura legal, conseguimos montar um time para disputar a elite cearense, nossa meta é se manter na Série A do Estadual. Paralelamente a isso, temos outros planos, de mudar escudo, o nome, as cores (vermelho, preto e branco). Ainda não posso revelar se o nome será Atlético Cearense ou outro, mas as cores são pelo fato de ser doente pelo Flamengo, inclusive tenho o sonho de jogar no Flamengo. Não posso entrar em maiores detalhes por ainda não ter nada definido", relatou Ari.
Futuramente, Ari espera ter o seu próprio clube e poder colocar em prática filosofia de jogo, treinos. "Temos o Luan, de 25 anos, treinador mais jovem do Brasil. Levei-o na Europa para ele acompanhar futebol, estudar um pouco, teve passagem pelo Benfica, um tempo no Lokomotiv". "Para chegarmos a disputar Série D, Copa do Nordeste, Copa do Brasil vai depender das parcerias que estamos tentando viabilizar com os times por onde passei na Europa", arrematou. (Colaborou Paulo Ayrton)