Suzane von Richthofen revisita assassinato dos pais em novo documentário

Produção da Netflix ainda não tem data para estrear.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Mulher sorridente olhando pela janela, expressão de felicidade em rosto alegre.
Legenda: Suzane atualmente cumpre a pena de 39 anos em regime aberto.
Foto: Reprodução.

Mais de duas décadas após um dos crimes que mais chocou o Brasil, a filha das vítimas e mandante da ação, Suzane von Richthofen aceitou falar sobre  o assassinato dos pais em um novo documentário produzido pela Netflix.

O filme, chamado provisoriamente de  "Suzane vai falar", ganhou atenção após várias imagens de Suzane dando entrevista aparecerem nas redes sociais, inclusive uma em que ela está na praia.

A produção ainda não estreou oficialmente na plataforma e ainda não há uma data para disponibilizá-la ao público. Porém, detalhes dos depoimentos foram publicados pelo jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, que teve acesso prévio ao material.

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Distanciamento emocional e brigas

Ao longo do documentário, Suzane comenta como a casa onde os pais, Manfred e Marísia von Richthofen, viveram e morreram era cercada de intrigas e desafetos. Segundo Ullisses, ela diz: "Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão".

Suzane argumenta como a falta dos pais abriu espaço para a criação de um vínculo muito forte com o irmão mais novo, Andreas von Richthofen, de 14 anos na época do crime.

"Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa. Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós", afirma.

Mulher explicando algo com expressão facial e gestos em ambiente interno, possivelmente uma entrevista ou conversa casual.
Legenda: Suzane comenta que o pai era o mais afastado emocionalmente da família.
Foto: Reprodução.

Além da relação conturbada com os filhos, os pais de Suzane também não se entendiam. Tanta confusão levou até mesmo a episódios de violência.

"Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, recorda von Richthofen.

Relacionamento com Daniel Cravinhos

Ainda conforme Ulisses Campbell, embora o documentário não solidifique essa ideia, o tom da produção dá a entender que, para Suzane, o desgaste emocional da família von Richthofen seria pano de fundo para o crime ocorrido em 31 de outubro de 2002.

Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas. O homicídio foi planejado pela filha do casal e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

O primeiro, inclusive, é citado diversas vezes por Suzane no documentário. Segundo ela, a restrição dentro de casa abriu uma brecha para a aproximação dos dois jovens.

"O Daniel passou a ocupar todos os espaços da minha vida”, disse. Ao mesmo tempo, de acordo com ela, crescia a resistência dentro de casa. A mãe criticava o relacionamento de forma direta. “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, afirmou.

Mulher com expressão de surpresa e sorriso, em ambiente de sala de estar com quadro na parede ao fundo.
Legenda: Suzane em diferentes momentos do documentário.
Foto: Reprodução.

Enquanto os pais estavam ocupados, a jovem Suzane saía de casa escondida para encontrar Daniel. Ela ainda relata uma experiência transformadora para os dois, o mês em que passaram juntos enquanto Manfred e Marísia viajam pela Europa.

"Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse", recordou. “Aquele mês mudou tudo na nossa vida”.

Recomeços

Condenada a 39 anos de prisão, e atualmente cumprindo em regime aberto, Suzane também aceitou falar sobre o dia em que os pais foram mortos. Segundo a própria, ela estava na sala, no andar de baixo, em estado disassociativo.

Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento. Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (...) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta.
Suzane von Ritchthofen

Hoje, Suzane está casada com o médico Felipe Zecchini Muniz, que no próprio documentário relata as primeiras conversas entre os dois, quando entrou em contato com ela pelo Instagram para encomendar para as três filhas sandálias que von Ritchthofen customizava.

O documentário também mostra as filhas de Felipe e o filho de dois anos do casal. Suzane diz que encontrou na criança a prova concreta de que o passado ficou para trás. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”, diz.

Ainda assim, ela entende que a alcunha de assassina condenada dificilmente será afastada dela. "Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. ‘Olha, a Suzane’”, relatou.

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