UTE Pecém tem lucro recorde de R$ 74 mi
Equipamento foi destaque no balanço anual de 2017 da EDP Brasil, com cerca de 13% de participação
São Paulo. A Usina Termelétrica do Pecém (UTE Pecém) registrou, em 2017, o maior lucro líquido de sua história. Foram aproximadamente R$ 74 milhões contabilizados, de acordo com informações do balanço anual da EDP Brasil. A disponibilidade energética do equipamento também atingiu nível histórico de 92%, acima dos 90% estipulados pela meta regulatória.
Em todo o País, a EDP contabilizou R$ 570 milhões em lucro líquido, alta de 89,4% em comparação com o ano de 2016. Logo, a Unidade Termelétrica do Pecém foi responsável, sozinha, por aproximadamente 13% deste valor. O resultado animou o presidente da EDP Brasil, Miguel Setas.
"O ano de 2017 foi marcado pela expansão de nossos negócios para novas geografias e novos segmentos, com o desenvolvimento de tecnologias pioneiras. Os resultados que registramos são sólidos e nos levam a encarar o ano de 2018 com otimismo", afirmou.
Conforme Setas, o Pecém receberá, neste ano, cerca R$ 100 milhões de investimento, valor próximo dos quase R$ 120 milhões aplicados no ano passado. O objetivo, conforme o presidente da EDP Brasil, é diminuir um dos maiores gargalos atuais da usina cearense: a logística de transporte de carvão.
"No Porto do Pecém se instalou a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), e essa siderúrgica partilha conosco infraestrutura nas cadeias transportadoras e a logística de carvão em terra. Essa partilha fez com que tivesse um estrangulamento da logística. Isso introduziu uma ineficiência em nossos custos de mais de R$ 80 milhões. E esse custo baixará para cerca de R$ 20 milhões, por conta de investimentos que estamos fazendo. É um momento crucial de nosso investimento", apontou.
Manutenção
Neste ano de 2018, a UTE do Pecém sofrerá duas paradas programadas, para a realização de ajustes técnicos. Isto, conforme as projeções da EDP, reduzirá a disponibilidade.
"Devemos ter duas grandes manutenções na usina. Ela tem duas máquinas, que vão parar durante algumas semanas, para fazer manutenção profunda, o que nos vai levar a ter uma disponibilidade um pouco menor do que o ano passado, entre 80% e 85%. Vamos ter que baixar um pouco. Mas nossa expectativa é que a usina funcione com seus níveis de performance adequados, desde que consigamos estabilizá-las", explicou Setas.
Outro ponto abordado pelo presidente da EDP Brasil foi a questão da disponibilidade de água para a usina. Conforme Setas, a empresa está em processo de busca por alternativas para minimizar os efeitos da escassez hídrica do Nordeste na operação. "Estamos estudando alternativas na questão do abastecimento de água. O Nordeste passa uma seca rigorosa. O ano de 2017 foi o pior dos últimos 87 anos, o Açude do Castanhão está em níveis bastante baixos. Estamos com projetos em estudo, sem nenhuma decisão tomada, de alternativas de abastecimento de água para refrigeração. É outro momento de investimento", relatou.
Conforme Miguel Setas, a EDP Brasil não tem nada definido, mas está atenta aos movimentos do mercado e pode vir, no futuro, a investir em uma nova usina no Nordeste. "Temos estudos, mas nenhuma decisão, deixo isso muito claro, sobre a aquisição de energia térmica no Nordeste, de energia elétrica do gás, mas por enquanto, são apenas estudos teóricos, sem nenhuma decisão tomada. São possibilidades de fazer investimento em geração de energia".
Para 2018, a EDP Brasil informou que prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão, aumento de 27,8% em comparação com o ano passado. Deste valor, cerca de R$ 630 milhões deverão ser destinados ao segmento de Distribuição do grupo.
O ano de 2017 representou, ainda, o crescimento das operações da EDP Brasil, que ampliou sua presença geográfica de nove para 12 estados do País. Em abril, o grupo assumiu o compromisso de investir R$ 3,1 bilhões até 2023 na construção de 1,3 mil quilômetros de linhas e quatro subestações em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Maranhão.
O repórter viajou a São Paulo a convite da EDP Brasil