Reserva Anacé está assegurada
O andamento das obras da Taba dos Anacés vem sendo fiscalizado pelos próprios índios e pelo Ministério Publico
Perdida a refinaria de petróleo Premium II, restou ao Ceará um "consolo". A Taba dos Anacés está assegurada para 163 famílias indígenas, que conquistaram uma área de cerca de 500 hectares, em Caucaia, em troca das terras onde moravam e que foram adquiridas pelo Governo do Estado e cedidas à Petrobras, para construção do empreendimento de refino.
A garantia da continuidade das obras da Taba dos Anacés, iniciadas no fim do ano passado, e com 25% dos trabalhos realizados, foi dada na tarde de ontem, pelo coordenador de Transporte e Obras, da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), o engenheiro André Pierre.
"Os desembolsos (dos recursos) estão ocorrendo normalmente", declarou Pierre, ao fim de reunião com representantes dos Anacés, no Ministério Público Federal (MPF). Segundo ele, tanto o governo estadual quanto a Petrobras vêm fazendo com regularidade o repasse dos recursos, à medida em que as obras são realizadas na reserva.
Acompanhamento
A reunião de ontem, a segunda realizada desde o início das obras, teve o objetivo de confirmar com o coordenador da Seinfra se as alterações solicitadas em janeiro último seriam de fato atendidas. Os índios reclamavam de algumas inadequações na execução do projeto e da qualidade de alguns materiais e insumos, como madeiramento de portas e janelas e tijolos.
"Como todo mundo que adquire um imóvel, eles (índios) também estão acompanhando de perto as obras", justificou Pierre, explicando que vistorias e testes dos materiais já haviam sido feitos e que serão apresentados a representantes dos Anacés, em nova reunião, marcada às 9 horas, da próxima sexta-feira, na sede da Seinfra.
Conforme disse Pierre, grande parte do arruamento e das fundações das casas já foram feitas. "Acredito que 25% das obras já estão concluídas", declarou, estimando que tudo estará pronto até o fim do semestre.
Otimismo
O otimismo também está presente no presidente do Conselho Indígena Anacé, Júnior Anacé. "Estamos acompanhando tudo de perto, porque é lá onde 163 famílias vão morar, pelo resto de suas vidas. A reserva será para o futuro das nossas famílias. As obras estão andando normalmente", declarou o líder.
Mediador do encontro, o procurador Regional da República, Francisco Macêdo, também se mostrou otimista com o andamento dos trabalhos. "A Petrobras e o Estado estão garantindo os repasses (dos recursos)", disse. A Taba dos Anacés está orçada em cerca de R$ 30 milhões.