Investimento pode mudar estrutura econômica do CE
Além do turismo, atividades como a de logística devem ser beneficiadas com mudanças no Aeroporto
Ainda não se sabe ao certo quantos empregos diretos e indiretos serão gerados com a instalação do hub (centro de conexões) da Air France-KLM e Gol e com as obras de ampliação do Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, pela concessionária Fraport.
Estado, Prefeitura de Fortaleza e iniciativa privada estão empenhados em dimensionar os impactos desses investimentos em diversos setores da economia. Porém, não há nada concreto que possa servir de base para um projeto estratégico.
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Apesar de ainda não haver estudos que comprovem os impactos dos investimentos no mercado de trabalho, tanto Estado quanto iniciativa privada esperam números positivos no volume de vagas de trabalho.
Entre os setores mais citados estão turismo, hotelaria, bares e restaurantes e construção civil. Dependendo dos impactos a serem sentidos, há também que considerar aumento no volume de cargas transportadas através do Pinto Martins, o que possivelmente iria demandar mão de obra para atender a este tipo de serviço, como motoristas e pessoas que trabalham com estoques de produtos, por exemplo.
Planejamento estratégico
Mesmo que ainda não se possa medir os impactos no mercado de trabalho com a instalação do centro de conexões, o Instituto de Desenvolvimento do trabalho (IDT) acredita que esses empreendimentos têm algum nível de impacto na economia local.
"A gente ainda não tem uma projeção. É difícil você fazer essa mensuração. Há uma necessidade de mão de obra e os investimentos privados podem mudar a estrutura econômica do Estado com a possibilidade de empregos", acrescentou o coordenador de Estudos e Análises de Mercado do IDT, Erle Mesquita.
De acordo com ele, é necessário que haja por parte do poder público um planejamento estratégico para evitar os efeitos limitados com os investimentos.
"Ainda existe na estrutura da economia do Estado uma grande concentração aqui em Fortaleza e na Região Metropolitana. Os novos investimentos que estão sendo aportados são muito importantes, mas eles vão acirrar ainda mais essa luta que o Estado vem tentando levar para descentralizar os benefícios", disse o coordenador.
Cautela
Mesquita também afirmou que a vinda do hub trará benefícios, mas ressaltou que é necessário cautela ao afirmar que serão geradas muitas vagas de trabalho em pouco tempo.
"A gente espera que o equipamento traga alguns benefícios, é um resultado que existe, porém pode ser que não abra muitas vagas", afirmou.
Sobre os postos de trabalho que deverão ser abertos, o coordenador do IDT explicou que isso depende da fase das obras e da instalação do hub.
"Na fase inicial das obras do terminal, nós teremos muitos operários, diante da envergadura do empreendimento. Há ainda o terminal de cargas. Isso vai requerer aumento no número de motoristas. Teríamos também atendentes, mas em menor escala. E há ainda toda a cadeira de turismo que será atraída", completou ele.
Mesquita destacou que há a necessidade que se faça um planejamento que passa pela intervenção do Estado. "O equipamento é muito importante, mas a estrutura pode não beneficiar a população local. Se não houver um planejamento não vai ter este impacto".
Política pública
Segundo ele, ainda é necessária a construção de uma política pública efetiva para atender a mão de obra. "O objetivo é que esses empregos sejam para a população residente. Para tanto, é preciso capacitar a mão de obra local", acrescentou.