Ipece prevê alta de 1% no PIB do Estado neste ano
Expectativa para o Ceará foi mantida, apesar da revisão feita pelo governo federal para o PIB do País
Após o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, prever que o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer menos de 0,5% neste ano, técnicos do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) afirmaram ontem (29) que o Estado mantém, por enquanto, a estimativa de crescimento de 1% do PIB em 2017.
"A gente mantém a previsão de crescimento em torno de 1% para o ano. Isso ainda está mantido, mas a partir do resultado fechado do primeiro trimestre. A partir do segundo trimestre, quando a gente divulgar esse resultado, nós vamos rever essas projeções", disse o coordenador de Contas Regionais do Ipece, Nicolino Trompieri.
Em relação ao PIB do segundo trimestre, a previsão do Ipece é que a agropecuária contribua positivamente para os resultados. Segundo Trompieri, as chuvas do primeiro semestre vão ajudar o PIB da agricultura no segundo e terceiro trimestres.
"As chuvas vão ajudar bastante o PIB da agricultura no segundo e terceiro trimestres no Ceará, assim como a grande safra do Brasil também vai ajudar o PIB nacional. As expectativas vão de acordo também com as reformas. Então este ambiente político pode barrar a reforma trabalhista e da Previdência. É uma situação péssima em termos de tendência de crescimento".
Elementos
De acordo com Daniel Suliano, coordenador de Conjuntura e analista de Políticas Públicas do Ipece, dois elementos são importantes para ratificar as expectativas. "O primeiro seria o setor agropecuário. Com essa quadra chuvosa, ele tende a contribuir de forma positiva novamente como aconteceu no primeiro trimestre. O segundo ponto é que há uma instabilidade política muito grande, então o cenário é totalmente revertido, provocando receio nos agentes econômicos ao tomar decisões". Sobre a possibilidade de o PIB cearense ter uma queda em relação ao resultado do primeiro trimestre de 2017, Suliano afirmou que ainda é muito cedo para projetar algo concreto.
"Até abril a gente tinha um cenário favorável. Quando chegou maio, tivemos aquele choque negativo que reverte completamente o cenário. A princípio, a gente pode até ter um pouco de recuperação em parte do trimestre e não recuperação no restante do trimestre. A questão é saber qual efeito vai dominar. Qual efeito vai se sobrepor em relação ao outro", enfatizou o coordenador.
Setores
O Ipece divulgou ontem um boletim de Conjuntura Econômica Cearense, em que mostra resultados macroeconômicos nos setores produtivos referentes ao primeiro trimestre deste ano. O documento traçou um panorama do cenário internacional e nacional, os quais serviram de parâmetros para o desempenho da atividade econômica do Ceará. De acordo com Trompieri, o setor de serviços tem o maior peso no PIB, mas o que mais favoreceu os resultados do primeiro trimestre foi a agropecuária, seguida dos serviços e da produção industrial, que mostrou reação neste período.
"Diante das expectativas de chuvas no começo do ano, os agricultores logo começaram a plantar. Estimativas para a produção de grãos no Ceará vêm indicando crescimento de produção no ano de 2017, comparada à produção obtida em 2016", constatou o documento.
No caso do setor de serviços, Trompieri afirmou que há um momento de favorecimento da recuperação do consumo. "Isso por conta da queda dos juros e da retração do endividamento das famílias". Já a indústria cearense mostrou reação no primeiro trimestre, segundo ele. "Essa reação vinha de boas expectativas durante o ano. Porém, é preciso observar que o setor industrial é o mais afetado com as expectativas porque é onde se encontra o maior risco. Eles tendem a se retrair mais. Nós vamos ter que observar se esta tendência de crescimento industrial vai ser mantida durante o ano", explicou Trompieri.