Camilo defende união entre regiões
A união entre os governos do Nordeste e do Norte do País foi um dos pontos defendidos pelos governadores nordestinos durante o evento "Diálogo Público: Nordeste 2030 - Desafios e Caminhos Para o Desenvolvimento Sustentável", realizado ontem no Banco do Nordeste (BNB). A ideia é que os governadores, unidos também com deputados e senadores de cada estado, tenham força para pleitear recursos e políticas públicas para as duas regiões.
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"Há a necessidade de uma força política do Nordeste brasileiro e do Norte", disse o governador do Ceará, Camilo Santana. "Se todos os senadores do Norte do Nordeste se unissem, nada seria aprovado no Congresso Nacional. (...) Nós vivemos um pacto federativo de faz de conta neste País, com a concentração de recursos na União. E sobre determinadas áreas do Nordeste brasileiro, nem nós podemos legislar", disse Camilo.
O governador cobrou empenho dos estados para garantir a conclusão de investimentos como a Transposição das águas do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina.
Educação
Incluída entre os principais gargalos para o desenvolvimento sustentável da região Nordeste, a educação deve ser posta como prioridade para os estados da Região nos próximos anos. "Tivemos avanços importantes, mas o Nordeste continua com suas grandes desigualdades e acredito que é fundamental priorizar o investimento em educação e distribuir melhor os recursos do País para as regiões mais pobres", disse Camilo Santana.
Segundo o índice de desenvolvimento humano dos estados do Nordeste para educação (IDHM Educação), em 2010 o Ceará foi o estado que registrou a melhor pontuação (0,615). No entanto, todos os estados da Região apresentaram pontuação inferior à média brasileira (0,637).
"Hoje se fala muito em eficiência e qualidade dos gastos públicos, mas a desigualdade é o maior problema e a educação a prioridade para o desenvolvimento", destacou o governador do Ceará.
Combate à violência
Camilo Santana cobrou maior empenho do governo federal no combate à violência associada ao tráfico de drogas e armas, sobretudo pela vigilância das fronteiras do País.
"O maior desafio do nosso País é o enfrentamento da violência. Em três anos de governo eu não recebi um centavo do Governo Federal para investimento em segurança pública", disse Camilo Santana. "O grave problema que a gente enfrenta é o tráfico de drogas e armas, e a responsabilidade de proteção das fronteiras é da União. Mas não há um plano de segurança pública no País", acrescentou o governador do Ceará.
Longo prazo
Outro ponto que foi motivo de queixa por parte dos governadores foi a ausência de planejamento de longo prazo no País. "A Região tem sofrido com a ausência de políticas públicas, com ausência de planejamento, e ausência de atenção, para não dizer desrespeito, disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.
"O Brasil é hoje um País sem planejamento. Sem olhar o norte, sem olhar as desigualdades regionais. Sem olhar o que efetivamente está acontecendo nas regiões", disse.