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Atração de investimentos deve fazer PIB do Ceará saltar 3,5%

Estimativa foi divulgada ontem, durante a apresentação do resultado obtido pela economia em 2017

Escrito por
Bruno Cabral - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: No ano passado, a agropecuária cresceu 28,90%. Já o setor de serviços avançou 1,09% em 2017, enquanto a indústria apresentou retração (0,64%)
Foto: Fotos: Fabiane de Paula/Helene Santos/ELIZÂNGELA SANTOS

Após crescimento de 1,87% em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará deve avançar mais 3,5% neste ano, segundo projeção do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Dentre os motivos para essa expectativa, o Governo do Estado destaca a atração de investimentos para o Ceará, estimulados pela queda da taxa de juros e pelo aumento do fluxo de investimentos internacionais para países emergentes, a queda da inflação e redução do desemprego. A estimativa foi divulgada, ontem (21), durante a apresentação do PIB de 2017.

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"Você tem um cenário mundial favorável ao Brasil, com fluxos de investimentos que rebatem no cenário local. Isso sem falar em outros investimentos como a expansão do Porto do Pecém e da parceria com o Porto de Roterdã, a Fraport (administradora do Aeroporto Pinto Martins). Têm novos investimentos chegando no Estado e isso fortalece o ânimo do empresariado local. Então a nossa crença é que essa retomada em 2018 também seja pela própria melhora do cenário mundial", disse Flávio Ataliba, diretor geral do Ipece, ao justificar a expectativa.

Além disso, Flávio Ataliba ressaltou que, mesmo com o crescimento de 2017, ainda há um "hiato do PIB" a ser recuperado em razão das expressivas quedas registradas em 2015 e 2016, de -3,4% e -5,3%, respectivamente. "Em 2015 e 2016 a gente caiu muito, quase 9%. Crescemos 1,8% no ano passado, mas ainda há uma grande capacidade ociosa que pode ser aproveitada e estimulada. A inflação está abaixo do centro da meta, o que aumenta o poder de compra das pessoas, e a taxa real de juros vem caindo constantemente nos últimos meses, o que estimula a redução de outras taxas de crédito e aumenta o poder de compra das famílias".

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Reservatórios

Outro fator que deve favorecer o incremento do PIB estadual é a melhora do nível dos reservatórios, que deve estimular a produção da agropecuária. "O regime de chuvas melhorou muito em 2018, confirmando as previsões e aumentando a nossa capacidade de armazenamento. Isso rebate muito para a agropecuária, que fornece insumos para a indústria como para o setor de serviços", disse o diretor geral do Ipece, órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão.

Caso a estimativa do Ipece se confirme, o PIB do CE irá superar mais uma vez o do Brasil, cuja última estimativa do Banco Central, feita em 16 de março, projetava um crescimento da economia do País de 2,8% para 2018. Ataliba diz que a boa situação fiscal do Estado, também contribui para resultados acima da média nacional. "Continuamos sendo um Estado, do ponto de vista fiscal, muito líquido, e isso é um adicional se comparado ao País e com outros estados".

Resultado de 2017

Em 2017, o crescimento da economia local foi puxado pelos setores da agropecuária, que registrou alta de 28,90%, e de serviços, alta de 1,09%. No ano passado, apenas a indústria apresentou resultado negativo (-0,64%). Segundo Nicolino Trompieri, coordenador de contas regionais do Ipece, a alta de 1,87% do PIB foi puxada pela conjuntura macroeconômica, queda da taxa básica de juros (Selic) e da inflação, do aumento do consumo das famílias e pela baixa base de comparação, já que o ano de 2016 foi o pior da crise econômica para o Estado.

Recuperação

"No geral, o resultado de 2017 foi muito bom, mostrou que a recuperação iniciada no segundo trimestre de 2017 vem se mantendo e se consolidou", disse Trompieri.

Após queda de 4,95% no quatro trimestre de 2016, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o PIB do estado apresentou retração de 0,83% no primeiro trimestre de 2017 e alta de 1,90% no segundo. Desde então, todos os resultados trimestrais foram positivos e tiveram crescimento, fechando o ano com alta de 3,24%.

Influência

"O que mais influenciou essa alta no quarto trimestre foi a agropecuária que, embora tenha uma participação pequena no PIB, avançou 29,06%. O setor teve um papel importante uma vez que tem impacto no setor de serviços e na indústria", disse Nicolino Trompieri.

De acordo com projeção elaborada pelo Ipece, o valor corrente do PIB de 2017 do Estado foi de R$ 137,8 bilhões. O número, no entanto, pode ser alterado quando foram divulgados os dados oficiais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atividades

Dentro do setor da indústria, o segmento da construção civil fechou 2017 com queda de 4,22%, o que acabou contribuindo para o resultado negativo do setor. No entanto, apesar do resultado negativo, no quarto trimestre o segmento registrou a primeira alta depois de oito trimestres consecutivos de queda. "A construção civil passou por um processo severo de ajuste que acabou sendo intensificado pelo ambiente de crise, já que é muito sensível ao crédito. Mas a expectativa é que os próximos meses sejam positivos", diz Witalo Paiva, analista de políticas públicas do Ipece.

Paiva acredita que a indústria deve se recuperar neste ano, sobretudo por investimentos no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e no Aeroporto de Fortaleza. "A construção civil ganhou importância na nossa indústria, o que acabou puxando o resultado para baixo", diz. Para 2018, a expectativa do Ipece é que o setor industrial, que representa cerca de 20% do PIB cearense, cresça 2,8%.

Com maior peso na economia do Estado, cerca de 75%, o setor de serviços também vem apresentando aceleração de crescimento, na comparação anual, desde o segundo trimestre de 2017, chegando ao último trimestre do ano passado com alta de 2,36%, na comparação com igual período de 2016. "Esse resultado foi bastante influenciado pela melhora da expectativa dos indivíduos, devido a melhora do cenário nacional", diz Alexsandre Cavalcante, analista de políticas públicas do Ipece.

Dentro do setor de serviços, Cavalcante destaca o segmento de transportes, que registrou alta de 3,32% no quarto trimestre e de 0,03% em 2017. "A gente pode sinalizar algo positivo com a nova administração da Fraport, que já está incrementando os serviços relacionados ao transporte de cargas e de passageiros. Mas o que vemos em linhas gerais é que a economia cearense parece ter começado a retomar seu nível de atividade econômica", diz.

Já o setor da agropecuária, que representa cerca de 5% da economia cearense, apesar do crescimento de 28,90% em 2017 ainda opera "muito aquém" da capacidade produtiva, diz Cristina Lima, assessora do Ipece responsável pelo setor do agronegócio. "Os valores de 2017 são bons, tivemos um pouco mais de chuvas do que no ano anterior, mas é preciso considerar que 2016 foi um ano muito ruim. E é isso que explica esses números", diz. Segundo Cristina, boa parte do resultado de 2017 pode ser creditado ao crescimento da produção de grãos e da pecuária. "Para este ano, nós esperamos que volte a produção de melão, que deixou o estado por conta de crise hídrica".

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