21 empresas pretendem se instalar no Ceará
Os interessados em investir no Estado atuam em diversos setores, como calçados e metalmecânico
O Ceará está cada vez mais atraente aos olhos dos investidores e grandes empresas do Sudeste, na avaliação dos presidentes da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Roberto Smith, e do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede), Gotardo Gurgel. De acordo com dados revelados pelo primeiro deles, o governo Estadual conta com 21 novos protocolos de intenções, referentes a interessados em aportar algum negócio em terras cearenses.
"Mais de 200 empresas se instalaram no Ceará desde 2007, com algumas adesões até o fim do ano - a gente conta com isso. Nunca tivemos tantos protocolos, tantas empresas com intenção de vir ao Estado como agora", avaliou Gurgel, ontem, durante a reunião do Monitoramento de Ações e Programas Prioritários (Mapp), na residência oficial do governador.
Ainda sob sigilo, as empresas e investidores com os quais se fecharam os 21 protocolos deverão ser apresentadas a Cid, ainda este mês, segundo o titular do Cede. Para tal, ele disse ter solicitado uma nova reunião do Conselho de Desenvolvimento Industrial (Cedin) - a sexta realizada somente em 2014.
Diversos setores
O titular do Cede contou ainda, que foi contactado por mais empresas do Sudeste, no início desta semana, e deve retornar àquela região em dezembro, para retomar as negociações e esboçar mais novos protocolos de intenções para o Ceará.
De acordo com ele, figuram entre as interessadas em se instalar no Estado, especialmente na região metropolitana, empresas dos setores de calçados e fornecedores para indústrias metalmecânicas. Gurgel ainda revelou que nenhuma delas espera doação de terreno pelo Estado e devem negociar diretamente com os proprietários dos terrenos visados por elas.
Já o presidente da Adece contou de reuniões, só esta semana, com três empresas de caráter exportador interessadas no Porto do Pecém, por enfrentarem dificuldades com o Porto de Paranaguá, no Paraná. Ele contou que "essas empresas já vinham conversando (com ele), passaram por Pernambuco, e tomaram decisão pelo Ceará, e as coisas já estão mais avançadas, discutindo localização e protocolo".
Smith também falou de contatos com empresas com envolvimento no setor metalmecânico e acrescentou o setor de alimentos entre os que negociam com a Adece atualmente.
Presente ao Mapp, o titular da Secretaria de Turismo do Ceará, Bismarck Maia, afirmou que "nos próximos dias deve ter um esforço do governo" para que dois prédios de uma antiga fábrica de calçados que saiu de Aracati sejam adquiridos e sejam repassados ao novo empreendimento do mesmo setor. Trata-se de uma nova indústria calçadista que deve sanar os cerca de 800 postos deixados após a saída do outro empreendimento. Conforme Bismarck, esta semana aconteceu uma reunião com a Adece para definir os próximos passos.
Continuidade garantida
Sobre os desafios de manter este volume de atrações de investidores na próxima gestão estadual, ambos os presidentes foram moderados e Gotardo Gurgel disse acreditar "que este trabalho será continuado".
"O novo governador Camilo Santana vai receber, já no colo uma quantidade bastante expressiva de protocolos para dar continuidade a esta atração de empresas", comemorou, referindo-se aos 21 documentos já assinados e outros que espera selar até dezembro próximo.
Para Smith, "o Ceará tem um conjunto da obra que impressiona". "Antes, o esforço era muito mais de ir atrás da empresa e, agora, estamos com a agenda cheia", destaca.
Perguntados sobre como o Projeto de Lei 130/2014, que tem como objetivo manter incentivos relacionados ao Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), Smith e Gurgel disseram-se simpáticos à proposta que visa à revalidar os incentivos com base em uma nova legislação. "Essas reavaliações estão sendo feitas e envolvem coisas que achamos interessantes, como não precisar de unanimidade do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) e submete (a aprovação das votações) a dois terços dos estados", argumenta o presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará.
'Diferenciado'
Ele ainda afirma que "o processo de incentivo fiscal do Ceará é diferenciado, mais antigo e, sobretudo, não abre mão da cobrança do imposto". Segundo destaca, o Estado "não está jogando pro alto, o imposto, ele apenas trata de um diferimento e trata de operação de caráter financeiro". "Nós fazemos um contrato com a empresa e isso dá segurança jurídica às empresas que vêm ao estado do Ceará", garante o presidente do Cede.
Armando de Oliveira Lima
Repórter