OMS autoriza uso emergencial da vacina Sinopharm, da China, contra Covid-19

Entidade previa autorizar uso da CoronaVac, mas avaliou que precisa de mais informações sobre o imunizante

Mão segurando seringa com vacina da Sinopharm em frente a caixas do imunizante
Legenda: Taxa de proteção global do imunizante é de 79%, mesmo número divulgado pela empresa em 2020.
Foto: Robert Atanasovski/AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) autorizou, nesta sexta (7), o uso emergencial da vacina desenvolvida pela Sinopharm/Bioinstituto de Pequim. O imunizante é o primeiro da China a receber a aprovação, já consentida às vacinas Pfizer/BioNTech, AstraZeneca/Oxford, Janssen e Moderna.

O órgão também previa autorizar o uso da CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac e produzida e aplicada no Brasil. No entanto, a entidade concluiu, nesta semana, eram necessárias novas informações sobre o imunizante.

As duas fabricantes chinesas usam a mesma tecnologia: o vírus Sars-Cov-2 inativado (morto). Após inoculado no organismo, o agente infeccioso é identificado como um corpo estranho pelo corpo humano, o que desencadeia a produção de células de defesa.

Assim, se o indivíduo vacinado for contaminado pelo coronavírus vivo, o sistema imunológico já estará pronto para reconhecê-lo e se defender dele.

Detalhes sobre a vacina da Sinopharm

Segundo o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage) da OMS, que estabelece recomendações sobre o uso do produto, a eficácia do imunizante da Sinopharm é de 79% para doenças sintomáticas e casos de hospitalização em todas as faixas etárias combinadas.

A vacina, aplicada em duas doses com um intervalo de três a quatro semanas, foi liberada para adultos a partir de 18 anos.

Embora não existam muitos dados sobre o efeito em maiores de 60 anos, a OMS não recomenda um limite máximo de idade — as informações existentes sugerem que a proteção oferecida pelo imunizante é a mesma entre os idosos.

Avaliação das vacinas da China

Conforme cientistas, o parecer da OMS sobre as vacinas chinesas era considerada importante para aumentar a confiança global sobre elas. Segundo a revista Nature, os dois imunizantes correspondem à maior parte das vacinas administradas na China — o país já as aplicou em 243 milhões de pessoas.

Apesar de mais de 45 países já aprovarem seu uso, a OMS está entre as primeiras autoridades regulatórias rigorosas acerca da revisão dos dados dos dois imunizantes chineses. Nesta semana, a agência reguladora europeia (EMA) começou a análise da CoronaVac — a da Sinopharm, já aplicada na Hungria, ainda não foi vista pela entidade.

De acordo com Mariângela Simão, diretora responsável pela área regulatória da OMS, a aprovação da Sinopharm pode acelerar campanhas de vacinação em muitos países. Com armazenamento mais simples que outras vacinas, como as da Pfizer e da Moderna, o imunizante é "altamente adequado para configurações de poucos recursos", de acordo com a OMS.

A vacina será também a primeira entre as autorizadas pela OMS a ter, no frasco, um adesivo que muda de cor caso haja exposição do conteúdo ao calor. Tal tecnologia permite que o imunizante seja usado com mais segurança.

A inclusão de um imunizante na lista da OMS permite que ela seja incluída no consórcio Covax Facility, que distribui vacinas contra Covid-19 a mais de 100 países. A Covax, até o fim de abril, havia despachado cerca de 50 milhões dos 2 bilhões de doses previstos para este ano — o consórcio tem tido dificuldade para cumprir suas metas.

A escassez foi agravada pelo caos sanitário na Índia, de onde era esperado 1 bilhão de doses da vacina Covishield (licenciada pela AstraZeneca e produzida no Instituto Serum). As exportações ficaram travadas com a piora da doença no país indiano.

Avaliação da Sputnik V

Além da CoronaVac, a vacina russa Sputnik V também está em processo de avaliação. A OMS, contudo, afirma que ainda não recebeu todos os documentos necessários e não tem prazos para tomar alguma decisão sobre o imunizante.

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