Uso de dose de aspirina para prevenção de infarto deve ser reduzido, diz força-tarefa dos EUA

Recomendação aponta que risco dos efeitos colaterais superam os benefícios apresentados

Foto de um comprimido de aspirina
Legenda: Aspirina é recomendada em alguns casos de tratamento contra doenças cardíacas
Foto: Shutterstock

As doses diárias baixas de aspirina não devem mais ser indicadas para tratamento de pessoas com risco alto para doenças cardíacas, segundo apontou um painel de especialistas dos Estados Unidos. 

A recomendação com um conjunto inicial de diretrizes foi baseada em evidências de que o risco de efeitos colaterais graves é ainda maior que os benefícios da estratégia. Anteriormente, a aspirina foi considerada uma arma barata na luta contra doenças cardíacas.

Além disso, o mesmo painel, denominado Força‑Tarefa de Saúde Preventiva dos Estados Unidos, planeja um recuo na orientação de 2016, que indicava a prescrição de aspirina infantil para a prevenção de câncer colorretal. 

Assim, a busca também é por desencorajar que qualquer pessoa com 60 anos ou mais entre em um regime de ingestão de doses baixas de aspirina. A preocupação seria o risco elevado de sangramentos que podem ser fatais.

Riscos com a idade

Essa proposta, segundo publicação do jornal The New York Times, é muito diferente das recomendações dadas há anos. Até hoje, sabe-se que o medicamento inibe a formação de coágulos sanguíneos que podem obstruir artérias. 

A controvérsia é que estudos apontam um risco elevado quando o uso é regular, principalmente no trato digestivo e no cérebro, com chances que aumentam com a idade. 

Entretanto, conforme uma médica que participou do estudo, mesmo com a possibilidade de sangramento, o cuidado indica que um médico deve ser consultado para definir a questão do uso.

"Nós não recomendamos que ninguém pare sem falar com um clínico, e definitivamente não interrompa se já tiverem tido um ataque cardíaco ou um derrame", relatou uma das médicas que integram a força-tarefa.

Ao todo, 16 especialistas, todos escolhidos pelo diretor da Agência Federal de Pesquisa e Qualidade em Saúde dos Estados Unidos, fizeram parte do estudo que avaliou tratamentos preventivos.

Comentários públicos para as recomendações serão aceitos até o dia 8 de novembro. Após isso, o movimento inicial é que as orientações sejam adotadas em algum tempo depois do término deste período.

 


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