Sobre Vermelho Monet, filme de Halder Gomes

Escrito por
Lia Sanders producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 15:30, em 13 de Julho de 2023)
Lia Sanders é professora da Faculdade de Medicina da UFC
Legenda: Lia Sanders é professora da Faculdade de Medicina da UFC
Uma das características mais peculiares de Halder Gomes é a sua capacidade de integrar, compor. O diretor de cinema ficou conhecido por levar o Nordeste, em especial o Ceará, para as telas do cinema e, mais recentemente, da televisão. Unindo regionalismo e contemporaneidade, requinte e avacalhação, dramaturgia e artes marciais, suas películas têm mobilizado as pessoas para os cinemas e contribuído para o resgate de nossa identidade. E eis que, quando o humor, tão nosso, tão característico, transforma-se em sua marca registrada, ele surge com um filme diferente de tudo o que dele se espera. 
 
“Tenho feito filmes sobre o universo em que eu habito. Este filme é sobre o universo que habita em mim”. Foi assim que Halder nos apresentou seu novo filme, Vermelho Monet. Ele é um habilidoso pintor de musas, misteriosas mulheres de finos traços. Conhece de perto as grandes obras de arte expostas mundo afora e a vasta literatura sobre a vida dos grandes mestres da pintura. Em tempos de fragmentação, desencontro, multiverso, o longa-metragem resgata o universo em ritmo, cor, tom, prosa e poesia. 
 
Em Vermelho Monet, o público se encontra com um pintor que não mais enxerga as cores, uma famosa atriz em crise e uma cavilosa marchand de arte. O filme é uma tela com muitas camadas, uma produção para assistir diversas vezes e, em cada uma, encontrar um novo ângulo. O diretor e seu elenco exploram com maestria cada canto dela. A depender do quanto sente e entende do mundo das artes, o expectador consegue acessar os diversos níveis de sutileza da obra, que transcende como a arte de Kandinsky. Tem o rubor do drama, da ópera. Para além da cor, o texto e a melodia costuram preciosidades literárias e toda sorte de referências: clássicas, contemporâneas e populares. É impossível não se comover com a harmoniosa junção de tantas linguagens artísticas. Halder Gomes dá vida à câmara escura de Johannes Vermeer.
 
Obra-prima, Halder. Bravo!
 
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