ESG e o desafio de negócios sustentáveis

O termo do momento traz à pauta do dia uma preocupação pertinente. Negócios sustentáveis apresentam-se como o caminho possível para uma economia e sociedade equilibradas. Três letras que se tornaram essenciais na jornada de executivos do mundo inteiro, o ESG - Environmental, Social and Governance - em português, Ambiental, Social e Governança. Critério que pode ser considerado uma versão aprimorada e atualizada do tripé da sustentabilidade, defendida nos anos 90 por John Elkington.

A pressão feita por investidores externos deixa a mensagem clara: ou as companhias estabelecem uma política de ações efetivas pela defesa ética do ambiente em que atuam, ou os investimentos buscarão outro rumo. Nessa esteira, o Poder Público também precisa deixar claro suas políticas de sustentabilidade. As questões de meio ambiente, por exemplo, figuram no topo da lista do Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial - ninguém quer colocar dinheiro em um país que não respeita seu ecossistema natural. Isso é um risco para qualquer o negócio.

Sustentabilidade foi um dos temas mais discutidos no Fórum Econômico Mundial em Davos, no início do ano. Grandes potências mundiais entenderam que este já era o caminho, mesmo antes de eclodir a pandemia do novo coronavírus. Se o ESG já avaliava os impactos sociais e ambientais de uma companhia e seus riscos ao negócio, no mundo pós-Covid isso ficará mais evidente. Podemos considerar, portanto, que a prática de negócios sustentáveis será o "novo-normal" da cultura empresarial.

Em rápida reflexão, o significado dessas três letras pode se traduzir em segurança para o investidor e acionista de uma companhia. Vamos lá. Veja que a efetiva preocupação com o meio ambiente protege a empresa contra autuações milionárias pelos órgãos de controle, garante um ambiente seguro e ajuda na perpetuidade dos negócios.

Na área social, quando existe a preocupação da companhia com as pessoas, e aqui estão todos os impactados por sua existência (empregados, fornecedores, comunidade, clientes etc.), novamente isso traz segurança ao investidor. Quando a empresa proporciona aos seus empregados uma remuneração e benefícios justos, promove a diversidade e busca um bom ambiente de trabalho; ou quando a companhia fomenta parcerias com seus fornecedores; ou quando possui projetos com as comunidades do entorno, é provável que isso gere bons resultados econômicos. Práticas que se traduzem em segurança para a conquista dos resultados.

Quando falamos em Governança nas companhias, isso deve significar processos e regras de organização claras e bem definidas. Incluindo transparência, autonomia e responsabilidade dos seus gestores. O que, mais uma vez, significa segurança para os acionistas e investidores.

O fato é que questões ambientais e sociais precisam ultrapassar as esferas de polarização social. E, nas companhias, a resistência de altos gestores caem por terra quando há o entendimento de que a sustentabilidade empresarial vai muito além de preservar o meio ambiente no cotidiano da corporação. Sustentabilidade deve ser o centro da estratégia do negócio. Ou a empresa é ou não é. O ESG dá a diretriz, o caminho a seguir para que companhias gerem dividendos com responsabilidade, atendam aos anseios de seus investidores e causem impacto positivo na sociedade e meio ambiente.

A pertinência atual desse tema mostra que aderir à cultura da sustentabilidade não é apenas mais um diferencial de mercado. É o caminho para construir empresas sólidas, focadas em resultado e na transformação do mundo em um lugar melhor para se viver.

Carlos Roberto Costa Filho

Vice-Presidente de Relações Institucionais do Grupo Edson Queiroz


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