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Do auge ao declínio: O que causou o fim de mais de 300 lojas na Av. Monsenhor Tabosa

Ao longo dos últimos anos, uma sequência de fatores e acontecimentos transformou a efervescência do que já foi o principal corredor comercial de Fortaleza em um cenário quase deserto, marcado por portas fechadas e falta de perspectivas. Futuro do local é incerto

Escrito por Cinthia Freitas producaodiario@svm.com.br
09 de Março de 2021 - 05:00
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Legenda: Lojas fechadas na Monsenhor Tabosa
Foto: Fabiane de Paula

Por muito tempo referência do comércio de artigos de moda – roupas, calçadas, bolsas, acessórios, biquínis -, a Avenida Monsenhor Tabosa tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma lembrança para muitos fortalezenses. Lojistas garantem que a área ainda é bastante frequentada por turistas. Porém, a julgar pela movimentação encontrada em visita da reportagem ao local, bem antes do novo lockdown, a afirmação tem um otimismo que contrasta com a realidade. 

'Paredão' de lojas desocupadas

Monsenhor Tabosa com lojas fechadas
Legenda: Monsenhor Tabosa com lojas fechadas
Foto: Fabiane de Paula

No auge, a Avenida chegou a ter 453 lojas, contando com imóveis das ruas transversais. De 2014 pra cá, 311 empreendimentos encerraram as atividades na Monsenhor Tabosa.

Segundo a Associação dos Lojistas da Avenida Monsenhor Tabosa (Almont), 142 lojas funcionam no corredor atualmente. Número difícil de imaginar para quem caminha os 900 metros da avenida encontrando mais o próprio reflexo nas vitrines vazias do que imóveis ocupados. A primeira metade da avenida virou um cartão-postal às avessas, com um “paredão” de lojas desocupadas, anúncios de "aluga-se" e um ar de abandono.

Se resgatarmos a memória da região lá pelo fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, com um corredor comercial efervescente, conseguimos encontrar algum resquício do que foi chegando já à outra ponta do calçadão de lojas, nas proximidades do supermercado e da agência bancária instalados mais recentemente no local.

Foto: Fabiane de Paula

Foto: Fabiane de Paula

Uma rede de serviços como estes, incluindo salões de beleza e barbearia, vem sustentando um fluxo mais estável, dizem os lojistas.

“Uns cinco anos atrás isso aqui era lotado, saía 20h daqui dia de sábado. Agora, o turista vem aqui, vê uma situação dessa, é complicado. Não tem uma lanchonete, a rua é muito quente, não tem onde sentar, não tem restaurante, não tem banheiro. Não tem nada pra oferecer ao turista. Não tem nem onde vender uma água. E, principalmente, não tem segurança”, lista Katiúcia Nunes, funcionária de uma loja do segmento de festas.