Tom Barros: Compromisso com a história nas pistas

Legenda: Autódromo Internacional Virgílio Távora sempre recebeu grandes eventos automobilísticos
Foto: Donizetti Castilho

Puxei pela memória. Em 1969, o então ministro dos Transportes, Mário Andreazza, inaugurou o Autódromo Virgílio Távora. Uma festa. Antes, quem lutou pela construção dessa pista foi o empresário Neném Pimentel. Diria simbolicamente que Neném arrancou à unha tocos e obstáculos para tornar realidade seu sonho de ter aqui um autódromo à altura das grandes competições. Neném foi notável piloto, amante da arte de conduzir com extrema competência carros de corrida.

Em 1970, na efervescência do automobilismo de então, veio ao Eusébio a Fórmula BUA, que em seus carros tinha os então promissores pilotos Emerson Fittipaldi, os britânicos Ian Ashley e Ray Allen, e Luizinho Pereira Bueno. Dois anos depois, Emerson ganharia seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Na década de 1970, narrei pela Rádio Dragão do Mar muitas corridas no Autódromo Virgílio Távora. Coisa mais recente, pela TV Diário, narrei de lá emocionantes corridas. Agora, após o Governo anunciar a venda do autódromo, estão encaminhando melhor solução. Não deixem morrer o sonho que um dia Neném Pimentel, com tanto sacrifício, tornou realidade.

Pioneirismo e esforço

O Autódromo Virgílio Távora não foi sonho apenas de Neném Pimentel, mas foi ele quem mais se doou à causa. Para as primeiras transmissões, com ele estendi dois quilômetros de fio para a conexão entre autódromo e um sítio que tinha telefone. Daí a conexão com o posto telefônico de Aquiraz.

Alternativas

A rica trajetória do automobilismo cearense não pode morrer por decisão de uns poucos. Há que se debater a questão, visando a manter o autódromo aberto e com programação permanente. Questão de adaptação. Eu e o querido locutor Júlio Sales fomos os primeiros a narrar os eventos do autódromo.

História

Não se pode apagar uma história que pilotos brilhantes escreveram com dedicação. Cito alguns, pois minha memória não me acode com os nomes de todos. Lembro de Arialdo Pinho, Roberto Fiúza Júnior, Haroldo Peixoto, Aloísio de Castro, Luiz Pontes, Pedro Virgínio, João Quevedo, Zé Queiroz, Valmira, Fernando Ary, Miguel Bang Bang Fernandes, César Figueiredo, Alexandre Romcy, Paulo Plutarco...

Manter o Autódromo Virgílio Távora deve ser a luta da Federação Cearense de Automobilismo, tomando por base o amor que o saudoso piloto Pedro Virgínio tinha pelo equipamento. Foi o idealismo de Pedro Virgínio que permitiu provas nacionais e internacionais. Exemplo que jamais deve ser esquecido.

O anúncio da venda do autódromo pegou mal. Como vender o cenário de tantos episódios inesquecíveis? Como sepultar 50 anos de disputas nas pistas? Sensato será optar por solução que satisfaça as partes interessadas. O autódromo não é um imóvel qualquer. Equívoco grave foi colocá-lo no rol dos imprestáveis.

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