Olimpíada no Japão é adiada para 2021 e atletas cearenses comemoram

As cearenses Rebecca Cavalcante, do vôlei de praia; Vittoria Lopes, triatleta; e a surfista Silvana Lima estão garantidas nos jogos de Tóquio e comemoraram o adiamento . Em breve, elas farão um novo planejamento de treinos

Legenda: A maioria dos atletas olímpicos já estava a favor de um adiamento dos jogos de Tóquio
Foto: FOTO: RONNY HARTMANN/AFP

O Comitê Olímpico Internacional se rendeu ao que parecia inevitável e anunciou que os Jogos Olímpicos de Tóquio não serão realizados nas datas planejadas. A pandemia do coronavírus levou a entidade e o governo japonês a adiarem o evento para 2021, em data ainda a ser confirmada, provavelmente no verão do Hemisfério Norte (de junho a setembro).

Ontem, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, conversou com o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, e anunciou o adiamento em entrevista coletiva. Na sequência, o COI se manifestou em nota confirmando a decisão.

A insistência em manter as Olimpíadas mesmo com tudo que estava acontecendo no mundo parecia irracional. A preparação dos atletas já estava muito prejudicada com as medidas de isolamento social, que mudaram a rotina das pessoas no mundo inteiro. Não só para os esportes coletivos, mas mesmo para os atletas, individualmente.

Por isso, o adiamento para 2021 foi bem recebido pelos atletas cearenses com vaga garantida em suas modalidades. Foi unanimidade entre eles que era inviável a disputa em julho pela pandemia e que agora terão um período de preparação ideal.

Foi o caso de Rebecca Cavalcante, que faz dupla com Ana Patrícia no vôlei de praia, Vittoria Lopes, triatleta, e a surfista Silvana Lima.

"Tudo isso mexe muito com a gente, sem dúvida alguma. É o ano mais importante da nossa vida profissional, e nunca ninguém imaginaria que isso poderia acontecer. Mas tenho certeza de que foi a melhor decisão a ser tomada, um problema dessa magnitude, em âmbito mundial, ultrapassa a importância do esporte, e a gente passa a focar na nossa vida e na nossa saúde. Hoje, isso é mais importante", declarou Rebecca, que ao lado de Ana Patrícia é uma esperança de medalhas para o Brasil.

A surfista Silvana Lima, surfista natural de Paracuru e já foi eleita oito vezes a melhor do País, afirmou que a saúde era mais importante, neste momento. "Não tínhamos condições de voltar 100% e competir em julho, que seria a data das Olimpíadas. A gente que precisa treinar, estar em forma em cada modalidade, no meu caso surfar, sentimos bastante. Mas o impacto do coronavírus não era só para os atletas, e sim para o mundo inteiro, para todas as pessoas e por isso pensar na saúde de todos era mais importante, e esperar que a vida volte ao normal aos poucos".

A triatleta Vittoria Lopes, que mora no Estado do Colorado, nos Estados Unidos, comemorou a decisão, já que competir na Olimpíada é para alto rendimento. "É uma vitória porque não dá para se preparar para os Jogos Olímpicos de forma adaptada. É a principal prova da nossa vida. Então, o COI se importou com a nossa saúde, a saúde do próximo, e isso é uma grande vitória", frisou a atleta cearense.

Preparação

Assim, com o anúncio para 2021, as atletas já projetam uma preparação mais adequada quando a quarentena mundial acabar.

"Nós vamos reavaliar nosso calendário, nosso planejamento e refazer tudo. Mas a gente já estava muito mexida com isso, já tínhamos suspendido nossos treinos, iria ser impossível disputar uma olimpíada normalmente. Mas agora estamos junto com todo o país, com todo o mundo, na luta sem sair de casa, lavando a mãos e fazendo tudo que for preciso", disse Rebecca.

Já Vittoria Lopes espera a marcação da nova data dos Jogos, e o fim da quarentena para programar os seus treinamentos. "Agora, é saber como vai ser. Mas é uma grande vitória. E não dá para se preparar meia boca para os Jogos Olímpicos. A primeira vitória foi dada. Agora, é esperar que a melhor preparação vai ser feita", encerrou a atleta.

A reportagem entrou em contato com outros atletas cearenses, como o triatleta Manoel Messias e Marlon Zanotelli, do hipismo, mas ambos não responderam ao contato.

Vitória

O adiamento sem dúvida foi uma vitória dos atletas. Uma pesquisa feita pela The Athletics Association e divulgada pelo jornal americano New York Times, na última segunda-feira, apontou que 78% dos 4.000 atletas entrevistados queriam o adiamento das Olimpíadas de Tóquio.

A pesquisa, que foi enviada em 13 idiomas diferentes para atletas de seis continentes, também apontou que as suas preparações estavam sendo afetadas por causa do coronavírus. O Canadá já havia anunciado, na semana anterior, a retirada de seus atletas dos Jogos por conta da pandemia.

Essa é a primeira vez que uma edição dos Jogos muda de data em sua era moderna (desde 1896). Outras três foram canceladas (1916, 1940 e 1944) nesse meio tempo, em razão das Guerras Mundiais.

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