Figurinhas da Copa do Mundo no Brasil começaram com bombom e cigarro; entenda
O álbum é o tema do 6º episódio do Mundo é uma Copa
Uma tradição toma conta do Brasil a cada quatro: colecionar álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Sem idade definida, a ação é geracional, movimenta a economia e gera relíquias, que contam histórias e custam caro para os colecionadores. O curioso é que tudo começou com chicletes e cigarros no país, popularizado com o título de 1958.
O Mundo é uma Copa, seção do Diário do Nordeste que conta curiosidades dos envolvidos na disputa do Mundial de 2026, detalha essa origem no 6º episódio do quadro.
Cultura do Brasil
Em 2017, um colecionador italiano comprou um álbum de figurinhas por R$ 40 mil em um leilão. O material era da Copa do Mundo de 1970, completo, com autógrafo de Pelé. O caso se popularizou na época pelo alto investimento em um material amplamente difundido, no entanto, o detalhe é o valor histórico com o distanciamento temporal do Mundial.
Atualmente, é comum falar em troca de figuras, busca pelos jogadores mais famosos e compras em bancas de revistas. A cada novo torneio, a "febre" retoma as ruas e praças, no entanto, a evolução da tradição nem sempre foi assim.
No Brasil, cards de atletas chegaram antes do álbum. Marcas de chiclete e cigarro usavam jogadores para atrair o público e vender os produtos, oferecendo itens colecionáveis.
O atacante Leônidas da Silva, conhecido como Diamente Negro, foi o primeiro grande astro estampado. Artilheiro da Copa em 1938, com sete gols, não venceu o torneio, mas conquistou notoriedade internacional por marcar "de bicicleta" e até atuar "descalço" em algumas partidas, sendo então o primeiro grande ídolo antes do "Rei" Pelé.
Em 1950, o movimento teve um salto comercial no Brasil por conta da Fifa, que selecionou o país como sede. A fábrica de doces "A Americana’ então criou o álbum chamado de Balas Futebol, onde você comprava uma bala e ganhava uma figurinha como brinde.
A inovação logo se espalhou dentre as principais marcas nacionais. O detalhe é que, no início, a tecnologia não era autocolante, o que exigia o uso de cola pelos torcedores.
O fracasso da perda do título abalou a torcida, mas não impediu o processo de popularização, que foi extremamente impulsionado por 1958, com a primeira taça. Em paralelo, no mundo, o crescimento dos álbuns também crescia através da banca italiana Panini. No mesmo ano, a empresa entrou no mercado, criou diversos modelos do Campeonato Italiano e apresentou um projeto para a Fifa, firmando parceria para a criação do primeiro álbum oficial de uma Copa do Mundo, lançado em 1970.
O produto foi essencial para construir a imagem brasileira de "país do futebol", com o mundo recebendo revistas e colecionado cards de nomes como Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto Torres, Tostão e todos os craques da seleção histórica daquele ano, que garantiu o tricampeonato mundial.
O acordo foi mantido em todas as edições posteriores, mas chega ao fim em 2030. Logo, o ano de 2026 marca o penúltimo lançamento, sendo também o mais ousado entre as marcas até o momento, com 980 figurinhas e 48 seleções.